
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Um chamado à conversão
Um personagem que aparece de suma importância no Evangelho deste domingo é João Batista, aquele que segundo os evangelhos, preparou os caminhos de Jesus, “pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados”. Outro evangelho diz que ele pregava a conversão do povo de Israel. Na tradição judaica a conversão recebe o nome de “teshuvá”. Essa palavra vem do verbo “shuv” que significa “voltar”. Quando João Batista e mais tarde Jesus pregam a conversão ao povo de Israel, estão na verdade convidando o povo a “voltar para a Aliança com Deus” ou “voltar para a vivência da Palavra de Deus” que é a Torá, que traz vida e felicidade para todo o povo. Se olharmos para o Primeiro Testamento, percebemos essa realidade: quando Israel é fiel, tudo lhe vai bem. Quando Israel quebra a Aliança com Deus, acontecem catástrofes em seu meio. É o modo como o narrador bíblico encontrou para dizer esta profunda verdade: somente com Deus, vivendo uma comunhão de amor com Ele, nós podemos ser felizes.
Estamos no Advento e hoje somos chamados por João Batista a fazer “penitência” (conversão) para remissão de nossos pecados. O maior pecado que podemos cometer é achar que podemos ser felizes sem um relacionamento com Deus, sem a vivência de uma espiritualidade que nos humanize. É próprio desse tempo falar em “espírito natalino”... Pena que tantas vezes ele se reduz ao comércio, à compra de presentes, ao Papai Noel etc. E o grande presente de Deus para a humanidade que é Jesus, onde é que fica? Onde fica a nossa adesão ao Evangelho? Onde fica o nosso compromisso enquanto batizados e membros da Igreja, de olharmos para os pequenos e frágeis, sobretudo porque,
Precisamos da teshuvá! Precisamos da conversão! Caso contrário, continuaremos com nossos corações vazios de amor e nossa vida sedenta de sentido...
Santo Advento!
Paz e Mercê!
Fr. Inácio José, mercedário
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
ADVENTO. Tempo de realimentar a esperança.
Introdução
Começamos um novo tempo litúrgico na Igreja. No último domingo celebramos Jesus Cristo Rei do Universo, no intuito de mostrar ao povo cristão que a razão de ser do universo começa em Deus e terminará em Deus, em Cristo que recapitulará todas as coisas em si mesmo quando o Reino de Deus se consolidar em plenitude.
Agora começaremos o advento. Tempo de preparação para a chegada do Messias que está para nascer e salvar a humanidade. É tempo de alimentar a esperança de que o novo está para chegar e que o mal no mundo pode ser superado através do amor que praticarmos e vivermos.
Tempo de espera e esperança.
Tempo de olhar para os pequenos
Frei Inácio José, mercedário
domingo, 23 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
convite
Paróquia São Francisco de Assis
Vermelho Velho – MG.
Comunidade São Vicente de Paulo – São Vicente da Estrela.
A Paróquia São Francisco de Assis, de Vermelho Velho, a Província Mercedária do Brasil, eu Frei Édson Luiz Raspante, convidamos você e sua família para participarem da celebração Eucarística, imposição das mãos e Oração Consecratória, presidida por Dom Francisco Barroso Filho, Bispo emérito de Oliveira – MG, na qual serei ordenado presbítero para o serviço da Igreja, nossa mãe, ao povo e ao Reino de Deus. Que Nossa Senhora das Mercês interceda às copiosas bênçãos celestes sobre você e sua família.
Contamos com sua presença e orações de todos!
Ordenação Presbiteral Missa Nova.
Dia 20 de dezembro de 2008 Dia: 21 de dezembro de 2008
Horário: 10h Horário: 10h
Local: Praça da Igreja de São Vicente de Paulo Local: Igreja de Santa Terezinha
São Vicente da Estrela – Raul Soares – MG. Cornélio Alves – Raul Soares – MG.
sábado, 15 de novembro de 2008
AS SETE VERDADES DO BAMBU

Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do avô, o chamou para a varanda e falou: Vovô corre aqui... me explica como esta figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para abraçar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva... e este bambu tão fraco continua de pé.
Filho, o bambu permanece de pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração e permanecer de pé.
A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.
Segunda verdade:O bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima tem também para baixo. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.
Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasçam outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros tanto que de longe parecem como uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.
A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta do alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” (e não cheio de eu’s). Como ele é oco, sabe que se crescer sem “nós” seria muito fraco. Os “nós” são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e desafios. Eles são nossos melhores professores se soubermos aprender com eles.
A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo, da sabedoria divina.
A sétima lição que o bambu nos dá é exatamente esta: Ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do alto. Essa é a sua meta.
REUNIÃO DE FORMADORES DA PROVÍNCIA MERCEDÁRIA DO BRASIL
D: Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo
T: Amém.
D: A vós irmãos mercedários, chamados por Deus, convocados para a Santidade e para seguir libertando a exemplo de Pedro Nolasco, a graça e a paz estejam convosco.
T: Bendito seja Deus que nos reunião amor de Cristo.
2. HINO:
(Todos os Santos da Ordem)
Ó vós Santos Mercedários, hoje no céu reunidos,
escutai as nossas preces, atendei nossos pedidos.
Seguimos vossos exemplos, ensinai-nos, suplicamos;
com amor igual ao vosso, nosso próximo sirvamos.
A vossa luz ilumine nossos pobres corações,
e assim a Deus louvaremos, vencendo tantas paixões.
Fé, esperança e caridade possam reinar entre nós,
e da Virgem das Mercês, sempre escutemos a voz.
Possamos nós libertar os cativos do pecado
e assim teremos, fiéis, a vossa vida imitado.
Louvor à Trindade Santa, que vos reúne na glória
no dia que celebramos de todos vós a memória.
3. ATO PENITENCIAL:
D: Somos frágeis e pecamos. Cometemos injustiças, nos falta a solidariedade, agimos de maneira egoísta, nos acomodamos, negligenciamos... Peçamos o perdão que nos reconcilia com o Pai e a conversão do coração:
* Por nossas fraquezas humanas
- Senhor tende piedade
* Por nosso injusto egoísmo
- Senhor tende piedade
Por nossa falta de fé e de amor, piedade, piedade Senhor. (BIS)
* Porque eu não fui solidário
- Senhor tende piedade
* Porque fomos indiferentes
- Senhor tende piedade
Por nossa falta de fé e de amor, piedade, piedade Senhor. (BIS)
T: Oremos: Tua graça, Senhor nos preceda e acompanhe sempre, a fim de que sejamos constantes em teu serviço e não nos cansemos de fazer o bem! Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
4. PALAVRA DE DEUS:
Leitura Bíblica (Isaías 61, 1 – 3)
O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; para consolar todos os que choram, para reservar e dar aos que sofrem por Sião uma coroa, em vez da aflição, o manto do louvor, em vez da capa da tristeza. Palavra do Senhor. T: Graças a Deus.
Salmo 115
1.Que poderei retribuir ao Senhor, por tudo aquilo que ele me deu?
R: Oferecerei o meu sacrifício e invocarei o seu santo nome.
2.Que poderei oferecer ao meu Deus pelos imensos benefícios que ele fez?
3.Eu cumprirei minha promessa ao Senhor na reunião do povo santo de Deus.
4.Vós me quebras os grilhões de escravidão e é por isso que hoje canto vosso amor.
Reflexão (As sete verdades do Bambu)
5. PAI NOSSO...
D: Graças te damos Senhor, porque nos reunistes em teu nome; Te pedimos que permaneças conosco durante nosso trabalhos; Sejas nosso guia e mestre e fortaleças nossa esperança; Que a poderosa intercessão da Virgem Maria venha também em nossa ajuda, para que saibamos agradecer-te em todas as nossas obras. Por Cristo nosso Senhor.
T: Amém.
6. BENÇÃO: (a cargo do Provincial)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
XXXV CAPITULO PROVINCIAL DE LA MERCED EM ARGENTINA
DE LA MERCED EN ARGENTINA
"Seamos Uno por la Redención"
Muy queridos hermanos y hermanas de la
Familia Mercedaria en Argentina y el Mundo
Les comunicamos con profundo gozo que el XXXV Capítulo Provincial en el día de la fecha, martes 11 de noviembre del año del Señor de 2008, a 790 años de la Fundación de la Orden de la Merced y a 415 años de la fundación de la Provincia Mercedaria de Argentina, ha celebrado la elección del nuevo Equipo de Gobierno Provincial para el período 2008 – 2011, habiendo resultado elegidos los siguientes religiosos:
SUPERIOR PROVINCIAL:
R.P.Fr. Pablo Bernardo Ordoñe
CONSEJEROS PROVINCIALES:
R.P.Fr. Carlos Alberto Gómez
R.Fr.Roque Antonio Coronel (reelecto)
R.P.Fr. José Luis Mercado Morales (reelecto)
R.P.Fr. Sergio Augusto Navarro (reelecto)
Encomendados a Nuestra Madre Ssma. de La Merced, San Pedro Nolasco nuestro Padre y Fundador, al Venerable Padre Fr. José León Torres, mercedario Argentino, camino a los Altares; nos unidos a todos ustedes con esperanza renovada, para ser Merced de Dios en favor de los nuevos Cautivos y oprimidos de Argentina, cuyos gritos nos interpelan y animan a ser creativos y audaces en un servicio donde todos tenemos un lugar.
R.P.Fr. Sergio Augusto Navarro
Secretario de capítulo
Recepción de saludos
Colegio León XIII Av. Bodereau 7058
Tel: 03543-420120 / 440948
Portal Web: www.merced.org.ar/home
E-mail: capituloprovincial@merced.org.ar
E-mail: ecosmerced@merced.org.ar
sábado, 8 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
SÃO SERAPIÃO - RELIGIOSO MERCEDÁRIO - 14 DE NOVEMBRO

De origem irlandesa, nasceu em torno do ano de 1179. Foi militar engajado no exército de seu rei Ricardo Coração de Leão, e depois na companhia de Leopoldo VI, o Glorioso, duque de Áustria, passou a fazer parte do esquadrão deste para ir à Espanha, em apoio ao exército cristão de Afonso VIII que lutava contra os muçulmanos. Na península, Serapião decidiu ficar a serviço do rei de Castela, para prosseguir lutando em defesa da fé católica. Ali teve ocasião de conhecer Pedro Nolasco e seus frades, que se dedicavam à defesa da mesma fé, porém, não guerreando contra os mouros, mas sim tirando de seu poder os cristãos cativos, empenhando nessa empresa a própria vida.
Pediu e recebeu o hábito de mercedário em 1222. Realizou várias redenções. Na última, que levou a cabo em Argel com seu companheiro redentor Berenguer de Bañeres, teve de ficar como refém em lugar de alguns cativos em perigo de renegar. O outro redentor viajou rapidamente a Barcelona para buscar o dinheiro. Pedro Nolasco, que na ocasião estava em Montpellier, escreveu carta urgente a seu lugar-tenente Guillermo de Bas: que avisasse a todos os conventos que recolhessem esmolas e as enviassem rapidamente a Argel. Não chegou no tempo estipulado o dinheiro do resgate, e os mouros, decepcionados, deram morte atroz a Serapião, pregando-o numa cruz em forma de aspa ( X ), como a de S. André, e esquartejando-o ferozmente. O bárbaro e cruel rei de Argel, Selin Benimarin, foi quem presenteou a Igreja e a Ordem Mercedária com esse santo mártir, a 14 de novembro de 1240. (ref. A Ordem de Santa Maria das Mercês – 1218 – 1992 – síntese histórica – Roma, 1997, pg, 59 ).
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
PADRE FREI LEÓN TORRES O. de M.

Frei José León Torre
BUENOS AIRES, 03 Set. 08 / 10:54 am (ACI).- O Pe. Pablo Bernardo Ordoñe, Vice-postulador da causa de canonização do venerável frade José León Torre, informou que o congresso ordinário da Congregação para as Causas dos Santos aprovou a validez do processo diocesano sobre um milagre acontecido em 13 de junho de 2003 em Santiago del Estero (Argentina) por intercessão dele.“Este é um passo firme e significativo no processo de beatificação de Frei José León Torre, sacerdote da Ordem da Mercê, fundador das Irmãs Mercedárias do Menino Jesus", explicou o Vice-postulador. O Pe. Ordoñe explicou também que agora segue a redação do chamado Sumarium, logo a Positio e finalmente o estudo dos peritos e teólogos. "O voto de cada um deles declarando que estamos ou não diante de um autêntico milagre coroará esta etapa”, acrescentou.Sua vidaJosé León Torre nasceu na localidade cordovesa de Luyaba em 15 de março de 1849. Depois de ter emitido seus votos solenes como frade da Ordem da Mercê para a Redenção dos Cativos, foi ordenado sacerdote em maio de 1868. Conforme explica o Pe. Ordoñe, José León Torre "foi um homem de Deus que viveu com simplicidade, mansidão e bondosa confiança em todos. Tinha a autoridade do mestre porque contribuía às decisões o impulso de seu exemplo, a luz de sua experiência e o vigor de sua palavra eloqüente, oportuna e próxima".Entre suas obras estão a revitalização da Ordem Mercedária na Argentina, a fundação das Irmãs Mercedárias do Menino Jesus e a evangelização da infância e a juventude.Faleceu em Córdoba em 15 de dezembro de 1930, à idade de 81 anos. Em 1957 se iniciou a causa de beatificação. Em 26 de março de 1994 em que foi declarado venerável pelo reconhecimento do heroísmo de suas virtudes.
domingo, 19 de outubro de 2008
César e Deus...
Deuses de ontem...
Nos tempos de Jesus, os imperadores romanos se faziam adorar como deuses. Eram chamados de “augustos”, de “divinos”. Nas moedas do império apareciam suas fisionomias e seus nomes. Ai daqueles povos por eles escravizados que não usassem destas moedas, aceitando de certa forma o jugo do opressor...
O único Deus.
O povo de Jesus, de certa forma não aceitou. Desde os tempos do exílio babilônico, este povo confessava a unicidade divina: Deus é UM. Não existe outro Deus a não ser o Senhor. E este Deus UM escolheu Israel para mostrar esta unicidade divina. Deu-lhe uma terra Israel, para ser um espaço de liberdade em contraponto com a escravidão egípcia outrora vivida. Inadmissível era, portanto, ver esta terra pisada e dominada por estrangeiros. Inadmissível era ver imperadores se colocando no lugar do Deus UM. Como conseqüência dessa fé, muitas revoltas e movimentos contrários a Roma aconteciam no povo judeu. Eram abafados mediante a violência e crucificação.
César X Deus.
“Dar a César...”,“Dar a Deus”... Duas realidades paradoxais. Humano e divino não são contrários entre si. Pela encarnação cremos que Deus se fez plenamente humano, igual a nós em tudo, menos no pecado. Neste domingo, somos chamados a fazer de nossa humanidade um espaço de manifestação da vontade de Deus. O humano não deve oprimir o divino que quer se manifestar em nosso meio.
Neste Evangelho Jesus se posiciona contra o culto do imperador e contra a sua dominação sobre o povo de Israel. Pois “dar a Deus o que é dele” significa dar o seu povo judeu, dar a sua terra Israel a Deus. Isto pertence a Deus e todo judeu pensaria assim, pois já estava nas Escrituras que toda a terra pertence a Deus da mesma forma que o povo judeu. Jesus não comunga da idolatria opressora romana, da qual parece, o texto deixa a entender em sua narrativa, que os fariseus comungam, pois eis que levam consigo a moeda romana (?!), na qual estava expressa essa idolatria. Jesus não possui a moeda, por isso a pede aos seus acusadores...
Deuses de hoje...
Este texto nos faz pensar nos “césares de hoje”... Em nome do lucro, dinheiro, milhares de pessoas são excluídas do sistema, morrem de fome, são marginalizadas, transformadas em lixo social. Em nome do dinheiro não aceitamos as pessoas em nossas comunidades ou as tratamos de modo diferente. Por ter mais dinheiro que as demais nos julgamos melhores ou com mais direitos que os demais. Pra Deus o que importa é ser e não o ter! Para salvar bancos da falência investem-se milhões. Para financiar guerras investem-se bilhões. E para matar a fome? E para erradicar a pobreza? E para erradicar as doenças? E para educar a sociedade na paz e solidariedade? Hoje em dia vemos até o absurdo da graça de Deus sendo vendida aos que lhes compram com largas somas de dinheiro, vendas de milagres, vendas de sacramentos... a quem servimos, a Deus ou ao dinheiro? A César ou a Deus?
Deus nos abençoe e nos dê coragem de lhe darmos o devido lugar em nossa vida.
Paz e Mercê.
Inácio José, mercedário
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Introdução
Pedro Nolasco viveu no séc XII. Contexto histórico das cruzadas, combate da cristandade contra o islamismo que avança na Europa e que tomou os lugares santos católicos no Oriente. No combate entre cristãos e mulçumanos, muitos de ambos os lados se tornaram cativos, presos políticos por causa da religião que professavam. Nesse contexto podemos considerar Pedro Nolasco e suas intuições como algo revolucionário para a Igreja?
Pedro Nolasco, um revolucionário entre revolucionários.
Outras figuras importantes na igreja apareceram nesse contexto. Diante do contra testemunho de Igreja luxuosa e rica, aparece Francisco de Assis como testemunho do Jesus pobre entre os mais pobres (franciscanos). No combate aos "movimentos heréticos" que começaram a surgir no seio da Cristandade, aparece a figura de Domingos de Gusmão, com o desejo de pregar a "autentica fé" em Jesus Cristo (dominicanos). Percebendo a liberdade humana sendo ameaçada e o ser humano se tornando objeto a ser comercializado, Pedro Nolasco aparece como defensor da liberdade humana. Ou seja, Nolasco vem no bojo de outros grandes movimentos eclesiais do séc XII.
Pedro Nolasco, quem és?
Era comerciante. Herdou o trabalho de sua família aos 12 anos que se viu órfão dos pais. Um dia ao vender telas na África, fazem experiência de Deus ao ver cristãos cativos sendo vendidos pelos mulçumanos. Percebe que por trás de cada cativo está Jesus que clama por liberdade. Decide investir o seu dinheiro na compra desses cativos. Amigos seus lhe seguem nesse trabalho. Quando acaba o dinheiro, em oração recebe a inspiração divina, por meio de Maria das Mercês, para fundar uma família religiosa que esmolasse dinheiro para comprar a liberdade dos cativos. Caso ainda houvesse cativos cristãos em risco de perder a fé, o mercedário daria a sua própria vida no lugar dele, ficando como cativo.
Nolasco, misericórdia para os que sofrem.
Os mercedários surgiram para cuidar dos que eram vítimas das cruzadas. A igreja respondeu aos mulçumanos com violência. Nolasco responde propondo o dar a vida pela libertação. Nesse sentido, Nolasco é um revolucionário pacífico e não violento. Após o resgate dos cativos, quando voltavam para a europa, ficavam um tempo junto aos mercedários como testemunho da libertação acontecida. Nolasco, portanto assumiu em sua vida a mercê de Deus, que é misericórdia: sobretudo para com aqueles que nem a si mesmos se possuem, os cativos.
Cativeiros hoje?
Nolasco continua atual. Nos interiores do Brasil ainda existe trabalho escravo. Nossa sociedade é cativa do consumo, do lucro, do dinheiro. Somos cativos de nós mesmos, de nosso egoísmo, de nossas opiniões tidas como a verdade. Hoje o ser humano reclama por liberdade, embora nem sempre saiba usa-la direito para o bem. Conquistar a própria liberdade é processo que dura a vida inteira. Por isso, esse jovem, que gastou seus bens e sua vida na luta pela liberdade pode nos ensinar muito hoje: lutar pela liberdade de todos. Conquistar a nossa liberdade, que no fundo significa ser a gente mesmo e não o que querem que sejamos (sociedade, instituições, igrejas etc.). O mais importante: que Nolasco nos ensine que devemos ser livres sim, mas livres para servir e colocar a nossa vida a disposição dos oprimidos de nosso tempo. Liberdade não colocada a serviço dos demais não é liberdade... é sutil disfarce para o egoísmo.
Paz e Liberdade.
Inácio José, mercedário
GRAÇA DE DEUS E NOSSA RESPONSABILIDADE EM ACOLHÊ-LA.
Introdução
No mundo no qual vivemos, é difícil compreender a dinâmica da gratuidade divina. Como hoje tudo se compra e ninguém presta algum serviço aos demais sem esperar algo em troca, atribuímos a lógica capitalista a Deus em sua relação para conosco. Exemplo: quem foi rezou mais, agiu mais caritativamente com os irmãos, teria um prêmio maior no céu, ao passo que quem foi ruim na terra, teria o inferno como prêmio. Lógica absurda diante do Deus de Amor que Jesus nos revela nos Evangelhos. Vejamos os evangelhos que a liturgia nos propõe e percebemos a grandiosidade da misericórdia divina e sua relação de gratuidade para conosco. Antes alguns esclarecimentos: os textos sempre usam vinha como símbolo de Israel. O fruto que Israel deve dar é, sobretudo a justiça mediante a vivência da Palavra de Deus. Podemos atualizar para nossa realidade. Nossas comunidades são a vinha do Senhor que devem dar frutos de justiça, paz, amor, comunhão, mediante a vivência da Palavra de Deus.
Dia 21 de setembro, Mateus 20, 1-16, parábola do patrão que contrata os empregados durante o dia.
É conhecido o texto. Durante o dia o patrão chama trabalhadores para vinha. No final do dia chama alguns que "ninguém quis contratar" e no final paga a todos o mesmo salário. Historicamente o texto se refere aos pagãos que são admitidos na comunidade cristã e que terão o mesmo direito que os judeus que seguem a Jesus. Se botarmos os óculos dos "direitos trabalhistas", o patrão se torna injusto. Mas com os "óculos da graça de Deus", percebemos que Deus tem o mesmo amor a todos. Ninguém tem direito a cobrar de Deus porque tudo o que fizermos não se compara a graça divina, Deus é infinitamente maior do que nossas ações. Por isso com Deus não se barganha. Outra coisa: muitas vezes na comunidade nos consideramos aqueles que passam o dia todo a serviço do Senhor e nos achamos no direito de no final ganhar mais de Deus do que aqueles que chegam agora na comunidade. Bobagem! Diante de Deus talvez nós é que sejamos estes últimos a chegar, por muitas vezes não estarmos fazendo de fato a sua vontade em nossa vida.
Dia 28 de setembro, Mateus 21, 28-32, parábola do pai com os filhos obediente e desobediente.
O pai pede a um filho que vá trabalhar na vinha e este diz que vai e acaba não indo. O pai pede a outra que vá para vinha, este diz que não vai e no final acaba indo. Quem fez a vontade do pai? Historicamente o texto se refere à acolhida da comunidade aos tidos pecadores, dizendo que estes na verdade entraram na dinâmica do Reino muito mais do que aqueles que formalmente disseram sim à proposta, mas que na prática não vivem a dinâmica do Reino. Pensando o texto hoje: muitos se dizem cristãos, mas não vivem como cristãos. Muitos nem sequer pisam na igreja, nem se dizem cristãos, mas vivem profundamente os valores que Jesus ensinou? Deus não quer formalidades de nossa parte, mas quer uma vida comprometida com o Reino de Deus, como este mundo novo que está sendo gestado na medida em que promovemos a justiça e paz.
Dia 05 de outubro, Mateus 21, 33-43, parábola dos vinhateiros homicidas e gananciosos.
O dono da vinha a arrenda a vinhateiros e pede que seus empregados recebam os frutos. Os vinhateiros os matam. Matam inclusive o filho a quem o pai achava que os vinhateiros fossem respeitar. O matam porque querem sua herança. Falsa pretensão de receber a herança por parte dos vinhateiros, pois o pai continua vivo ainda!!! Historicamente o texto critica as autoridades que mataram Jesus. Vai além disso: o Reino que era propriedade deles passará a algum povo que o acolha. Aqui no caso trata-se dos gentios que se tornam cristãos em contraponto com os judeus que não creram em Jesus. Interessante notar: a vinha não é dos vinhateiros, é do dono. Os vinhateiros apenas trabalham para passar os frutos ao dono. O Reino de Deus não é nosso, é de Deus. Apenas administramos os seus mistérios e trabalhamos para que ele se concretize em nosso meio. Igreja nenhuma, instituição religiosa nenhuma pode se arvorar a ser dona da verdade e muito menos dona de Deus! Isso é falsa pretensão gananciosa. Outro detalhe: o texto nos convida então, a perceber que devemos dar bons frutos de justiça, caso contrário, a dinâmica de fraternidade será vivida por outros e não por nós, para o nosso próprio fracasso enquanto discípulos de Jesus.
Conclusão
Pelos textos de Mateus refletidos na liturgia nos últimos domingos podemos perceber a gratuidade divina. Esses são os óculos com os quais devemos ler os Evangelhos. Deus em sua gratuidade, sem merecimento de nossa parte, nos chama à comunhão consigo mediante a prática de sua Palavra. Sua Palavra nos forma na paz e na justiça. Como batizados esse é nosso compromisso assumido. Acontece, no entanto, que muitas vezes somos infiéis e muitos que nem cristãos são, vivem de forma muito melhor os valores que nós pregamos. Ora, Deus olha para vida concreta das pessoas. É na vida que transparece o que a pessoa acredita. Isso deveria sempre nos questionar e inquietar. Outra coisa: com Deus barganha não funciona. Deus não é capitalista. Deus ama a todos sem distinção e se no final de nossa história não vivermos a plenitude de vida junto dele, não será porque Ele nos condenou, mas sim porque, em nossa liberdade, escolhemos não viver essa comunhão de amor com Ele, manifestada desde já, na comunhão fraterna com a humanidade.
Deus nos abençoe.
Paz e liberdade.
Mercê em abundância.
Inácio José, religioso mercedário
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
II encuentro del ABC
Buenos Aires, agosto 4 de 2008.
Protocolo E. 09/08
Objeto: Invitación y temario 2º Encuentro Consejos Provinciales del Cono Sur.
Al R. P. Provincial Fr. Emilio Santamaría Fernandez, O. de M.
Provincia Mercedaria de Brasil
Estimado Hermano:
Ante todo un fraternal saludo en el mes de Nuestra Madre. Me comunico contigo para acercarte la invitación y la propuesta de temario y detalles organizativos del el 2º Encuentro de Consejos Provinciales “Cono Sur de la Merced”.
Las actividades y temáticas propuestas para compartir en el marco del encuentro serían las que siguen:
a.- Presentación ágil (usando recursos visuales) de la vida y realidad de nuestras Provincias en clave: Institucional – Pastoral – Vocacional (Planes, Programas, Proyectos, organigramas, Opciones Prioritarias pastorales, Estrategias, Roles y funciones, Articulación de roles y animación entre religiosos y laicos en la línea de 5º Conf. Aparecida, etc.)
b.- Posibles temáticas para dialogar (hacer devolución de las que más nos interesan y proponer correcciones o aportes):
b.1.- Encuentro de Directivos de Centros Educativos Mercedarios del Cono Sur (¿Comienzo de un camino compartido con horizontes comunes…? ¿Propiciar acercamiento entre Directivos y responsables en orden a compartir lineamientos?)
b.2.- Fraternidades Juveniles y Laicales del Cono Sur hacia el 8º Centenario de la Orden. (¿Compartir planes, estrategias, objetivos a corto/mediano/largo plazo en vistas reforzar identificación-adhesión-pertenencia a la Merced? ¿Posibilidades de articular una pastoral orgánica con clara proyección social, cultural, devocional, urbana/rural, respetando los acentos de cada país sin perder un horizonte común? ¿Será la oportunidad de fortalecer la identidad carismática – vocacional en torno al “Cono Sur de la Merced”?
b.3.- Misiones Redentoras en cada Provincia (¿Será el momento de comenzar a visionar un gesto pastoral – institucional común del Cono Sur, que nos aúne en una espiritualidad encarnada y convocante animada por el mutuo sostenimiento?
b.4.- Inversiones Económicas ¿Será el momento de plantearnos posibles inversiones económicas conjuntas?
b.5.- Impresiones acerca del último encuentro de formadores de la Orden y del encuentro de Provinciales de la Orden (¿Qué horizonte se vislumbra a nivel Orden y cuál será nuestro aporte desde el Cono Sur de la Merced? ¿Posibilidad de elaboración de un itinerario común de formación inicial y permanente para el Cono Sur asumiendo nuestra cultura y realidad?)
b.6.- Formación inicial y permanente. (¿Posibles encuentros de preparación para religiosos que realizarán sus Votos Solemnes? ¿Encuentros de religiosos de Votos Solemnes por franjas generacionales, con un plan formativo mercedario y de acompañamiento, organizado por los consejeros de Formación – Vida religiosa? ¿Posibilidad de Ejercicios Espirituales conjuntos – Con qué periodicidad?
b.7.- Gesto del Cono Sur de la Merced… rumbo a los 800 años de la Orden (¿Posibilidad de potenciar alguna expresión pastoral con identidad mercedaria que nos identifique? ¿Podremos Visionar en nuestra región a mediano o largo plazo, la conformación de alguna comunidad religiosa con identidad Mercedaria, integrada por religiosos de las 3 Provincias?)
c.- Desde Argentina responsables de organización:
Fr. Pablo Ordoñe (pabloredent@merced.org.ar)
Fr. José Luis Mercado Morales
Fr. Sergio Navarro
Colabora en logística el Equipo de Comunicación de la Provincia Mercedaria Argentina (ecosmerced@merced.org.ar).
d.- El encuentro tendrá lugar del 1 al 3 de octubre próximo en el Convento Máximo San Lorenzo Mártir de la Ciudad de Córdoba
d.1.- La Ciudad de Córdoba tiene Aeropuerto Internacional con conexiones directas desde y hacia Santiago de Chile y San Pablo/Río de Janeiro.
d.2.- Informarnos vuelos, arribos y partidas (días y hora) e itinerarios anexos.
e.- Importante: Enviarnos el correo de cada consejero que asistirá.
Te ruego enviar esta información con la máxima brevedad posible para la organización del encuentro.
Sin más, me despido con afecto en el Señor y María Nuestra Madre de la Merced.

Fr. Pablo Bernardo Ordoñe
Secretario de Provincia
terça-feira, 23 de setembro de 2008
reflexões diversas
A comunidade dos primeiros discípulos e discípulas de Jesus formaram comunidade/assembléia (igreja, ecclesia) em torno da fé proclamada por Pedro no Evangelho deste domingo: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". Este é o motivo pelo qual ainda hoje nos reunimos ou deveríamos nos reunir, formando Igreja e construindo o Reino de Deus no meio do povo.
O que importa é a fé de Pedro e não o próprio Pedro. A fé dele se torna fundamento para a comunidade. A fé pode justificar a reunião dos crentes e não a pessoa. Quando nos reunimos em comunidade por causa das pessoas, sem querer desmerece-las é claro, estamos desvirtuando a verdadeira motivação da existência da igreja: a fé em Jesus Cristo. Na prática vemos muito por aí, as pessoas participando da comunidade por causa do padre, ou por causa dos cargos eu exercem na comunidade. São motivações distorcidas, eu diria. A fé em Jesus é que deve ser o motivo principal pelo qual nos reunimos, trabalhamos nas pastorais e movimentos, participamos dos sacramentos etc. Da fé em Jesus Cristo partimos para a valorização das pessoas que faz parte intrínseca da fé em Jesus.
Isso nos faz pensar: a Igreja possui uma função relativa. Pode parecer dura a afirmação, mas é verdade: ela existe em função da fé em Jesus Cristo. Quando ela não ajuda a crescermos nessa fé e a nos comprometermos com a causa do Reino de Deus, motivo pelo qual Jesus deu a sua vida, então algo precisa ser modificado, algo precisa ser questionado e mudado. Dessa forma podemos perceber que não somente nossa comunidade se reúne em torno de Jesus, mas que muitas outras por aí, de formas distintas de expressão, também se reúnem com esse propósito.
Que a liturgia deste domingo nos favoreça uma melhor compreensão de que somos Igreja, que somos família reunida em torno da fé em Jesus, com a meã de construirmos um mundo novo, mais justo e fraterno (Reino de Deus). Que nos sintamos indagados a respeito de nossas motivações acerca de nossa participação da vida eclesial: afinal, porque participo da Igreja? Porque sou católico? Qual a minha real motivação para a minha participação na comunidade cristã?
Deus nos abençoe.
Paz e Mercê!
Inácio José, mercedário
A fé de Pedro II
Em nossa última reflexão dizíamos que a fé de Pedro é que era a pedra que sustentava a comunidade dos seguidores de Jesus e não o próprio Pedro. No evangelho deste domingo percebemos como que essa afirmação procede. Depois de proclamar que Jesus é o Messias, Filho do Deus vivo, Pedro não aceita o anúncio do próprio Jesus que dizia que deveria sofrer em Jerusalém e ressuscitar no terceiro dia.
Que Jesus é o Messias, tudo bem. Mas que tipo de messias? Na época de Jesus existiam diversas expectativas messiânicas das quais a que mais se destacava era o “messias, filho de Davi”, espécie de líder político que libertaria os judeus da dominação dos estrangeiros. Quando Pedro diz que Jesus é o messias talvez esteja pensando neste tipo de messias que, obviamente não poderia morrer, não poderia ser vencido e que usaria de violência. Jesus desconstrói esse messianismo, pois Jesus se configura como o Messias Servo Sofredor, aquele que morre por causa da justiça, mas que, através do qual, Deus redime a muitos. Esse messianismo é inspirado nos “cânticos do servo” no profeta Isaias.
Aquele que pensa Jesus como um messias glorioso e cheio de poder, na verdade está com os “pensamentos de satanás”! Nas tentações de Jesus por acaso, satanás não o procurou tentar lhe oferecendo poder? Jesus recusou isso. Não aceitou.
Que tipo de messias a Igreja tem ensinado que é Jesus? Messias glorioso? Ou messias que sofre e morre não porque o Pai quis, mas porque lutava por um mundo mais justo? Dizer que Jesus morreu porque Deus quis é legitimar nosso sofrimento e justificar em Deus todos os males pelos quais somos responsáveis. Mas dizer que Jesus morreu porque lutava por um mundo mais justo e que isso incomodou a alguns poderosos de sua época, os quais o mataram, significa afirmar que Deus está do lado de quem quer um mundo melhor e mesmo que este morra, terá a vida a vida, pois Deus não corrobora com a injustiça, mas deseja o bem de todos.
Enfim: a fé de Pedro sustenta a comunidade, mas mesmo assim precisa ser purificada. Hoje em dia o mesmo acontece: a fé dos representantes de Pedro devem nos levar a perceber Jesus como Messias, filho de Deus, que morre pela justiça e não por um decreto do Pai (senão, que Pai bondoso seria esse???). Devem nos levar também a perceber Jesus não tão glorioso e distante de nós, mas um Jesus encarnado em nossa história, que conhece os nossos dilemas e desafios e que por isso mesmo, pode ser luz e salvação para as nossas vidas.
Paz e liberdade.
Mercê em abundância para todos.
Inácio José, mercedário
EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
Jesus fez por merecer sua cruz. Essa afirmação pode parecer dura e chocar a catequese que recebemos quando crianças. Geralmente aprendemos que Deus enviou Jesus ao mundo para morrer na cruz. Isso contradiz em muito o Deus de amor que o próprio Jesus veio nos comunicar. Que Pai é esse que manda o próprio Filho ao mundo para morrer desse jeito?
Quando digo que Jesus fez por merecer a sua cruz quero afirmar que a cruz foi conseqüência da vida de Jesus. Num mundo injusto quem prega e vive a justiça acaba padecendo a morte nas mãos dos poderosos. Num mundo onde os pequenos são explorados, quem se atreve a ser a voz deles, acaba tendo a cruz como fim. Não morre na cruz quem é pecador. Pecadores são os que crucificam, tanto ontem, como hoje!
Nesse domingo celebramos a exaltação da santa cruz: pela cruz de Jesus nos veio a salvação. Como a cruz, sinal de violência para com os mais fracos pode se tornou instrumento de salvação? Na cruz, o amor venceu a violência, o ódio, o egoísmo. A violência desmedida e opressora dos romanos é minada em sua raiz pelo amor de Deus que se doa para a nossa felicidade, "não tiram a minha vida, eu a dou por mim mesmo", diz Jesus no evangelho de João. O remédio contra a violência em nossa vida, casas, bairros, é o perdão, é o se doar novamente mesmo aos nossos inimigos. Desta forma o círculo vicioso da violência e do pecado pode ser vencido.
Assim da mesma forma como as serpentes no deserto são convertidas em sinal de cura para o povo de Israel pelas mãos de Moisés, a cruz de Jesus, aparente derrota diante do poder da violência, se converte em sinal de vida e vida em abundancia; tanto é verdade que sua mensagem não morreu, continuamos ainda hoje levando adiante a boa nova de um mundo mais justo e fraterno.
Jesus fez por merecer a sua cruz. E nós também, na medida em formos coerentes no empenho em transformar as estruturas de injustiça em nosso mundo, também poderemos ter a cruz, a morte cruel como fim. Haja visto tantas pessoas que morreram sob a ditadura militar. Pessoas que morrem ainda em nossos dias na Amazônia defendendo os agricultores. Missionários que morrem defendendo os direitos dos indígenas e muitos outros mais. Será que como Jesus, queremos também merecer a nossa cruz?
Inácio José, mercedário.
O desafio de ser comunidade-reconciliação.
A liturgia deste domingo nos convida a duas coisas: 1) formar e criar consciência de que somos comunidade. 2) somos chamados a sermos comunidade reconciliadora.
Ezequiel profetiza para o povo de Deus exilado na Babilônia. Deus lhe chamou a ser sentinela do povo. Hoje em dia vivemos uma ideologia de que cada deve viver sua vida sem prestar conta dela aos demais, "a vida é minha, ninguém não tem nada a ver com isso". Quando se vive em comunidade, precisamos assumir a postura de sermos responsáveis pelos passos da comunidade: se ela vai bem, é graças a nós. Se vai mal também é por responsabilidade nossa. Quando exortamos a comunidade para o bem e ela mesmo assim vai mal, a responsabilidade é da comunidade. Agora se vai mal porque não demos a nossa contribuição, então a responsabilidade cai sobre nossas costas. Precisamos adquirir a consciência de que "somos igreja" e não somente o papa, bispos, padres etc. Sou igreja. Você é igreja. Somos igreja.
Quando vivemos em comunidade a única coisa que importa é que vivamos o amor. O amor resume todos os preceitos da Torah, segundo Paulo. Como bom fariseu que era, ele resume é um só versículo os mandamentos da Torah: "ame o próximo como a si mesmo". No tempo de Jesus a "regra de ouro" era famosa, "não faça aos outros o que não queres que te façam". Jesus formula o mesmo pensamento não proibindo, mas convidando à ação, "faça aos outros o que queres que te faça", ou seja, me comporto com os demais do mesmo modo como quero que comportem comigo. Jesus nos chama a atenção para o fato de que o "não fazer o bem" também é pecado: nossa omissão é responsável por uma comunidade cristã menos humana, bem como uma sociedade menos humana.
Na comunidade haverá atritos, ofensas etc. Viver em comunidade é sempre desafio. Não somos anjos. Somos humanos. Cada um diferente do outro. Por isso se o irmão peca contra mim na comunidade, devo conversar com ele, me reconciliar com ele e não descontar nos outros... Interessante o detalhe: pecar contra alguém (indivíduo) significa pecar contra a comunidade (ekklesia – igreja). Por isso se em meu diálogo com alguém que me ofendeu eu não consegui "acertar meus ponteiros com ele", devo chamar pessoas para intermediar a paz ("levar dois comigo"), caso ainda não dê resultado comunico a igreja, para que ela possa intermediar a reconciliação (fantástico: o texto começa com uma ofensa pessoal que é compreendida como uma ofensa à comunidade. Não estará aqui a consciência de que o "indivíduo é igreja"?). Se mesmo assim não houver reconciliação então é melhor deixar as coisas como estão ("tratar como pagão, ou pecador público"). Isso não significa expulsar a pessoa da comunidade ou menosprezá-la publicamente. Entendo aqui o fato das pessoas que não se entendem na comunidade se afastarem dela. Ora, na teoria seria belo demais se todos nos entendêssemos. Mas na prática não é assim. Deus quer que todos sejamos felizes dentro ou fora da igreja. Por isso é melhor a pessoa ser ela mesma e feliz fora da comunidade do que causar transtornos e infernos dentro da comunidade, sendo infeliz e fazendo os demais infelizes.
Na comunidade as decisões devem ser partilhadas. "tudo o que tu ligares... tudo o que tu desligares"... "Ligar" e "desligar" são termos rabínicos de inclusão ou expulsão de um membro da escola ou sinagoga da época de Jesus. Ora, no capitulo 16 de Mateus, Jesus dá esse poder a Pedro. Aqui Jesus dá esse poder aos discípulos. Isso significa que as decisões na comunidade não devem estar nas mãos de uma pessoa somente, mas nas mãos da comunidade, devidamente representada pelo conselho da comunidade. Lendo somente o cap. 16 temos a impressão de que Pedro tem todo poder nas mãos. Essa impressão cai por terra quando avançamos a leitura até o cap 18, texto de nosso domingo.
Enfim, Mateus quer nos ensinar que a comunidade não deve ser um espaço de bagunça e desorganização, mas que deve ter seus limites e normas de boa convivência. Jesus está no meio da comunidade, dando o seu aval às decisões e orações feitas em comunidade. Belíssimo ensinamento remando contra a maré do individualismo e subjetivismo exacerbado no qual vivemos atualmente. Deus nos abençoe em nosso desafio de sermos comunidade.
Paz e liberdade.
Mercê em abundância.
Inácio José, mercedário
Leitura Orante da Palavra (lectio divina)
O que é? A lectio divina ou leitura orante da Palavra de Deus é o modo de nos aproximarmos da Palavra, com a finalidade de orar e entrar em contemplação, isto é, entrar em comunhão com Deus e sua vontade através de sua Palavra. Não é um estudo exegético nem curiosidade, mas uma leitura amorosa da Palavra que nos leva a mergulhar no mistério de Deus e descobrir sua vontade em nossa vida.
Contexto histórico. Esse modo de leitura da Palavra já está presente nos Santos Padres da Igreja, que tinham a preocupação de que as pessoas não se aproximasse da Palavra com mero espírito de especulação, mas respeito amoroso por ser Palavra de Deus, mas sua sistematização mais clássica temos na obra do monge cartuxo Guido II (1188) em sua carta a Gervásio, intitulada Scala claustralium, que a dividiu em 4 momentos: leitura, meditação, oração e contemplação.
Importância hoje. A Igreja no Concilio Vaticano II confirmou a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja através do documento Dei Verbum, em diversas de suas passagens. Toda a teologia e espiritualidade da Igreja está centrada na escuta e vivência da Palavra de Deus. Todos os fiéis são convidados a fazer a experiência do mistério de Deus mediante a sua Palavra.
Como fazer? São quatro passos simples, mas que devem ser feitos em espírito de oração. Por isso, convém começar invocando o Espírito Santo, inspirador das Sagradas Escrituras, para nos abra a mente para mergulharmos nos mistérios de Deus. Escolhemos uma passagem para fazer a leitura (pode ser algum texto da liturgia do dia). 1. Na leitura procuramos entender o que o texto diz em si mesmo, sobretudo para aqueles aos quais o texto foi destinado em sua época de origem. Lemos com atenção, cada palavra, entendendo seu significado. 2. Depois vem a meditação onde procuramos entender o que o texto nos diz hoje. Significa atualizar a mensagem da Palavra para a nossa vida e nosso cotidiano. 3. O próximo passo é a oração: o que o texto me faz dizer a Deus? Até agora Deus nos falou algo, agora é o momento de conversamos com ele (suplicas, louvores etc). 4. Por fim, vem o momento da contemplação: significa fitar o nosso olhar em Deus e reconhecer a sua presença em nossa história. Simplesmente "ver o mistério de Deus" agindo em nossa vida e na comunidade. Duas dicas práticas: tirar um momento todos os dias para fazer a leitura orante. Escolher um ambiente onde haja silêncio para facilitar a oração.
Que a Palavra de Deus seja nosso sustento em nossa caminhada de fé. Paz e liberdade.
Inácio José, mercedário
Bibliografia: SECONDIN, Bruno. Leitura Orante da Palavra – lectio divina em comunidade e na paróquia. São Paulo: Paulinas. 2004.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Sao Raimundo Nonato - Piaui
http://www.milonga.com.br/
de modo especial, você pode acompanhar a novena de "São Raimundo Nonato", na catedral de São Raimundo Nonato no Paiui.
grande abraço.
sábado, 23 de agosto de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
PARA VOCE QUE ...
ENTRE NESTE SITE : http://www.liturgia.it/pater/pater_noster.htm
VALE A PENA.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
para pensar nos próximos domingos
Seguindo Jesus
Seguidores de Jesus. O evangelho deste que seria o 13º. Domingo comum, nos apresenta na visão da comunidade de Mateus, quais seriam as condições para sermos discípulos de Jesus. Usando a linguagem semita própria do “exagero” (amar mais o pai, mãe, filho e filha do que Jesus) Jesus deseja mostrar que o Reino está acima de tudo para quem é seu discípulo. Isso não quer dizer que não devemos amar os nossos familiares, mas não usar de nossas famílias como desculpa para não construirmos o Reino, uma vez que lá mesmo, em nossas famílias, ele deve ser construído e estabelecido.
Seguir Jesus até a cruz! Jesus deixa claro que ser discípulo significa morrer como ele morreu: na cruz. Hoje em dia vemos o testemunho de tantos que deram sua vida pela causa de Jesus e pela justiça no mundo e que foram mortos por aqueles que detinham o poder político e econômico. Perder a vida na busca de um mundo mais justo é na verdade ganha-la, pois significa uma vida plena de sentido e significado em função dos necessitados.
Função da missão cristã. Outro detalhe que aparece no texto é a identificação de Jesus com os seus missionários: quem os recebe, recebe Jesus. Nosso trabalho missionário tem a função de levar Jesus e seu Evangelho e nada mais. Nem nossas opiniões, nem nossas instituições, mas sim, Jesus e aquilo que ele queria: um mundo livre e fraterno.
Atualizando a mensagem. A Igreja nos convoca a sermos discípulos e missionários de Jesus. Isso significa: “entrar na escola de Jesus, aprender de seus valores, colocando-os em prática afim de que o mundo novo surja”. Todos somos missionários de Jesus. Como temos vivido nossa missão? Vivo o Evangelho em todos os ambientes nos quais estou? Será que quando olham para mim enxergam os germes do mundo novo que está para vir? Sou discípulo na medida em que aprendo com Jesus a ser como ele e sou missionário na medida em que aquilo que aprendi vivo onde quer que esteja.
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário
14º. Domingo Mt 11,25-30
Viver a Palavra segundo Jesus
Um pouco de história. Na época da escrita do Evangelho (anos 80 a 100 dC.), os judeus depois da destruição do Templo se organizaram em torno do farisaísmo que estabeleceu as normas para a vivência do judaísmo, excluindo as interpretações das demais correntes judaicas de então, dentre elas as comunidades judaico cristãs. O judaísmo rabínico que temos hoje possui suas raízes nos fariseus que sobreviveram da catástrofe sofrida pelos judeus por parte dos romanos nos anos 70 dc e 135 dc.
Nossa interpretação da Escritura também é válida! Nesse Evangelho Jesus louva ao Pai por se revelar aos pequenos (domingo passado os “pequenos” se identificam com os “missionários de Jesus”, ou seja, a comunidade de Mateus), e se esconde aos sábios e inteligentes. Quem seriam estes? Possivelmente os rabinos do judaísmo formativo de então, que não aceitaram outras interpretações da Escritura feita por outros grupos judaicos tais como os judeus cristãos. É forte a expressão: só o Filho conhece o Pai e o Filho o mostra a quem ele quiser. Isso pode significar a ruptura da comunidade de Mateus com o judaísmo tradicional de então, porque dá entender que os outros não conhecem o Pai, mas somente os que seguem Jesus.
Fardo e carga de Jesus são leves – discipulado de Jesus. É explícito chamado de Jesus a sermos seus discípulos. Ora no tempo de Jesus havia escolas nas quais os rabis ensinavam aos seus discípulos a lerem a Torah. Aqui fica o convite para entrarmos na escola de Jesus, a estudarmos e vivermos a Palavra do jeito que Jesus viveu. “Fardo” e “carga” podem significar a “halakhá de Jesus” – halakhá são os ensinos de conduta extraídos do estudo da Palavra e que todo rabi fazia. Jesus também o fazia: estudava a Palavra e dali tirava como os seus deveriam se comportar na vida prática.
Atualizando a mensagem. Se naquele tempo as normas estabelecidas pelos rabis na vivência da Palavra eram pesadas para o povo, Jesus veio com uma proposta mais simples e, no entanto mais exigente. Hoje corremos o risco de viver mais aquilo que nossos códigos e catecismos nos mandam do que a simplicidade exigente do Evangelho de Jesus. Digo simplicidade exigente porque tudo pode se resumir em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Simples, mas difícil. Jesus nos pede essa vivência porque ele mesmo a viveu antes de nós e nos deu o exemplo de como viver isso. Que possamos aprender com Jesus então, afim de que o Reino de Deus sonhado por Jesus, possa ser construído em nosso meio.
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário
15º. Domingo Mt 13,1-23
Multidão ou discípulos?
Na linguagem do povo. Jesus é um rabi diferente. Ele ensina as coisas de Deus usando a linguagem do povo através de parábolas. Das coisas simples da vida consegue tirar belas lições para a conduta e vivência prática da Palavra (halakhá) para o povo. Nisso esse se assemelha aos rabis de sua época que também contavam parábolas para os seus discípulos em suas escolas.
Sementes. Jesus compara o Reino a sementes que caem em lugares diversos. Quem quer que o Reino de Deus se estabeleça de maneira forte e intransigente para todos “cai do cavalo” com esta parábola, pois Jesus mostra que o Reino é tão frágil como uma semente. A semente por si somente tem a força de crescer e germinar, mas depende de onde cai e se será bem cuidada ou não.
Terra. Na explicação da parábola Jesus nos diz que somos a terra onde a semente cai. Em seu tempo ele anunciou esse mundo novo para todos, mas nem todos o acolheram e sobretudo, aqueles a quem o Reino o incomodava, como no caso do poder romano, o mataram, pensando em exterminar a semente. Só que a semente continuou a crescer e continua até hoje...
Mas eles não entenderam? No verso 10 e 11, os discípulos questionam o porquê das parábolas contadas à multidão (vs 2). Jesus diz que é para que não entendam! Estranho: usa a linguagem do povo para que a multidão não entenda. Depois à parte Jesus explica a parábola aos discípulos. O texto deixa entrever uma tensão entre discípulos e multidão. O que isso quer dizer? Vamos à atualização...
Atualizando a mensagem. Hoje talvez nos preocupamos em que nossas igrejas estejam repletas de multidões e vemos muitas vezes inúmeros espetáculos da fé que aglomeram multidões em estádios, parques etc... A princípio podemos pensar que seja coisa boa e de fato é: multidões louvando o Senhor. Mas será que todos são discípulos de Jesus? Será que entraram na escola de Jesus para ser como o Mestre e construir o Reino? Porque não vemos essa multidão lutar por um mundo novo, mais justo e honesto, onde não haja tantos na miséria e poucos na riqueza? A “religião de massa” faz com o que o cristianismo corra o risco de se tornar uma diversão qualquer, como uma partida de futebol, por exemplo. No início os primeiros cristãos eram pequenas comunidades perseguidas. São os “discípulos”, muitas vezes perseguidos, mortos por causa do Evangelho. Quem são de fato os discípulos em nossas comunidades? Que este evangelho nos ajude a sairmos da multidão e entrarmos no discipulado de Jesus.
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário
16º. Domingo Mt 13, 24-43
Onde o Reino de Deus acontece? E como?
Outras parábolas de Jesus. Em nosso texto de hoje temos a parábola do joio/trigo e do grão de mostarda e do fermento. O Reino é semelhante ao trigo plantado, no qual alguém semeia joio, que depois será separado. O Reino é semelhante ao grão de mostarda que se torna uma grande árvore ou ao fermento que em pequena quantidade leveda toda a massa.
Tentando entender a mensagem. Jesus anunciou o Reino de Deus, ou seja, como seria o mundo se Deus fosse o Senhor de todas as coisas. Como o mundo estaria organizado se Deus fosse o seu Rei. No domingo passado aprendemos que o Reino cresce que nem uma semente, ele não é implantado de uma vez, mas depende do nosso cuidado para com ele. Hoje aprendemos que o Reino cresce em meio às contradições do anti-Reino (joio): bem e mal convivem lado a lado em nossa sociedade e nossa tendência é eliminar o mal. E não deve ser assim: o mal Deus pode transformar em bem. Aprendemos também que o Reino começa pequeno com adesão de poucos, mas quando crescer abrigará a todos os que anseiam e esperam por ele. O Reino de Deus não é para poucos, mas para a humanidade inteira. O Reino é como fermento, que escondido dentro da massa, faz com que ela cresça e fique bela. Fermento requer a medida certa: em demasia não dá certo, ou pouca quantidade também não funciona.
Atualizando a mensagem. Somos chamados por Jesus a construir o Reino de Deus. As parábolas de hoje nos ensinam como: aprendendo a conviver com as contradições em nossa comunidade. Todos nós temos o bem e o mal dentro da gente. Por isso não devemos eliminar os “maus”, mas ter a paciência e esperar o momento certo. Deus pode transformar o mal em bem e Ele sabe distinguir o trigo do joio (dizem que as duas plantas são muito parecidas e somente no momento em que estão maduras é que se pode distingui-las...). Precisamos aprender a valorizar as pequenas comunidades, pequenas iniciativas que procuram com sinceridade viver o Evangelho (grão de mostarda). Não é na massa (multidão) que está a verdadeira vivência do Reino, mas nos pequenos que formando comunidade partilham a vida. Por isso, em nossas comunidades estes são escondidos como o fermento, não aparecem aos olhos da paróquia. Às vezes são tidos por insignificantes. Mas são eles que, no meio da multidão (massa) fazem o Reino acontecer.
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário
17º. Domingo Mt 13,44-52
Tradição e tradição
Mais parábolas de Jesus. Jesus no evangelho de Mateus se apresenta como um grande rabi ensinando as coisas do Reino de Deus. Em todo o capítulo 13 ele conta uma série de parábolas ilustrando como é o Reino de Deus. Em nosso texto de hoje temos o Reino comparado a um tesouro escondido no campo ou uma pérola de grande valor que quando são descobertos se vende tudo para consegui-los. O Reino é como uma rede que pesca peixes de toda sorte que depois são separados e por fim Jesus diz que o escriba do Reino é como um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.
“Novidade” dentro da Tradição. Jesus foi judeu. Viveu a tradição judaica, mas, inspirado nela propôs algo novo não deixando de ser judeu. Creio que as duas últimas parábolas retratam isso. As duas primeiras demonstram que o Reino é aquilo que há de mais valoroso para o discípulo de Jesus.
Criatividade. Jesus em meio a seu tempo propôs como viver a vontade do Pai à sua maneira, as vezes rompendo certos aspectos tradicionais do judaísmo (como os ritos de pureza, por exemplo), mas sem deixar de ser fiel a Tradição (Torah escrita e Torah oral). Ele foi criativo. Ele não se deixou levar pela lei do “pode ou não pode”, mas com autonomia e responsabilidade viveu a sua fé e relação com o Pai, ensinando aos seus o mesmo. Muitos anos depois que Jesus morreu e ressuscitou, os chamados “Pais da Igreja” também demonstraram essa criatividade: em meio ao mundo grego, foram fiéis àquilo que era a Tradição Apostólica, mas inculturaram a sua fé em meio ao ambiente grego-romano, sem deixar de serem cristãos.
Atualizando a mensagem. Hoje corremos o risco de pensar que devemos agir de determinada forma porque “sempre foi assim”. Está errado! O critério não é porque “sempre foi assim” na Igreja, mas é porque esta forma se aproxima mais do Evangelho. No dia em que descobrirmos outra forma mais evangélica de atuar e agir no mundo diante dos desafios que este nos apresenta, não tenhamos medo de mudar! Não estaremos deixando a Tradição, mas a tradição. Porque será que muitas vezes percebemos a mensagem da Igreja tão distante dos seus fiéis? Será porque os fiéis não escutam? Ou será porque realmente a resposta da Igreja não diz nada para o mundo e os desafios de hoje? Penso que seja necessário a sensibilidade por parte dos nossos pastores para perceberem se estão vivendo a fidelidade criativa ao Evangelho ou se estão presos a tradições que não dizem mais nada para a sociedade atual. E nós? Somos fiéis as tradições ou sobretudo ao Evangelho?
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário
sexta-feira, 13 de junho de 2008
como ovelhas sem pastor
Jesus: o bom pastor. Os discípulos de Jesus enxergaram nele o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10,11). “Pastor” na Bíblia, além de significar o sujeito que toma conta do rebanho das ovelhas, simboliza também o ofício dos que são responsáveis pela direção e condução do povo de Israel, de tal maneira que, se o povo se extravia, ou se perde, ou sofre alguma catástrofe, os profetas responsabilizam os maus pastores do povo (cf. Ez 34; Zc 11,17 e outros). O povo de Israel exilado diante disso reafirma que somente Deus pode ser de fato o pastor do povo, aquele que cuida com carinho e não abandona jamais (Sl 23). Jesus nos evangelhos assume essa postura.
Jesus se preocupa com os seus. Jesus se compadece do povo (Mt 9,36) porque estão como ovelhas sem pastor, ou seja, sem liderança que os conduza nos caminhos da justiça, fraternidade e no cumprimento da Torah. Para isso suscita discípulos para fazer o que ele mesmo fez (Mt 10, 1-4) com a intenção, sobretudo de ir aos perdidos do próprio povo (Mt 10, 5-8). A comunidade de Mateus, quando escreve seu evangelho está passando por forte crise: muitos dos seus estão deixando a comunidade para seguir outros movimentos judaicos da época. Por este motivo existe nesse texto a preocupação “com os de dentro”, afim de mantê-los na comunidade, vivendo a Torah segundo a interpretação de Jesus, o Messias. Em todo evangelho de Mateus, Jesus se apresenta como um verdadeiro intérprete da Torah, que garante a legitimidade da prática da comunidade mateana.
Autoridade dividida. Nesse mesmo evangelho vemos Jesus dando autoridade aos apóstolos a fazerem o mesmo que ele fez (Mt 10,1). Jesus não centralizou as coisas em suas mãos, mas dividiu o seu poder com a comunidade. O mesmo deve ser em nossas comunidades hoje: não é o padre que tem decidir tudo e ter a palavra e ação final. Mas sim a comunidade. O evangelho de Mateus deixa isso bem claro: Jesus dá a mesma autoridade a Pedro (Mt 16, 19) à comunidade (Mt 18,18). O poder na comunidade cristã é partilhado, não é para estar nas mãos de um só.
Atualizando o Evangelho. Como Igreja podemos ter duas iniciativas: buscar mais gente para nossas comunidades ou nos preocupar em formar os que dela já fazem parte. O evangelho deste domingo nos leva a pensar na formação para com os de dentro, os que já fazem parte de nossas comunidades e paróquias. Muitas vezes somos relapsos com os de dentro, não lhes fornecendo uma formação sólida que seja capaz de responder aos desafios de nossos tempos... Talvez seja por isso que muitos “deixam o rebanho” e vão para outros ambientes nos quais sentem-se acolhidos, amados e, sobretudo, bem formados. Por mesquinhez muitas vezes os líderes de nossas comunidades não formam os seus membros. Existe muita gente boa por aí, disposta a se formar, a encarar estudos teológicos, a se preparar bem para serem bons catequistas e agentes de pastoral, mas, sei lá por quais motivos (financeiro, ideológico, jogos de poder etc) não são preparados e nem sequer estimulados a isso. Que este domingo nos ensine então: a nos preocupar com a qualidade formativa dos membros de nossas comunidades – importa é a qualidade dos discípulos e não a quantidade deles! E que o exemplo de Jesus nos ensine a não centralizarmos o poder, as decisões de nossas comunidades, mas que vivamos de fato o espírito de comunidade, onde todos têm voz e vez, participando das iniciativas da evangelização da Igreja.
Paz e Mercê!
Frei Inácio José, mercedário
segunda-feira, 9 de junho de 2008
misericórdia e não sacrifício
Mt 9, 9-13
O texto desse evangelho nos mostra Jesus chamado Mateus, coletor de impostos para o seguimento. Isso significa que os discípulos de Jesus que escreveram este evangelho admitiam em sua comunidade a presença de pessoas que colaboravam com os gentios, aqui no caso, Roma. Isso era inadmissível para certas correntes judaicas, tais como a escola rabínica de Shamai da época de Jesus, que não admitiam a convivência com não judeus. Outra famosa escola rabínica da época de Jesus era a de Hillel, que admitia a convivência com não judeus com a intenção de lhes ensinar a Torá, ou seja a vivência da Palavra de Deus. O termo "segue-me" é um termo técnico que denota a relação entre um rabino e seu discípulo.
Depois o texto segue dizendo que Jesus comia com pecadores e coletores de impostos – atitude de inclusão para com os que eram judeus colaboradores com os opressores romanos e para com os não judeus (pecadores por não viverem a Torá). "Os fariseus" se aproximam e questionam essa atitude, talvez por serem do grupo dos mais rigorosos (Shamai) e não dos mais "misericordiosos" (Hillel).
Daí Jesus responde que os doentes é que precisam de médico, que ele veio para os pecadores e não para os justos – veio para incluir as pessoas na vivência da Palavra e não para os que já vivem a Palavra (justos); além disso, cita Oséias 6,6 "quero misericórdia e não sacrifício". Como interpretar isso? Os profetas sempre denunciaram o culto religioso sem a prática da justiça (Os 6,6; Am 5,21; Mq 6,8; Is 58). O culto religioso é bom, mas sem a justiça e o amor vividos ele se torna vão, sem valor e sem sentido. Em Mt 21,12-13, vemos Jesus expulsando os vendedores do Templo usando como argumento Is 56,7 "minha casa será casa de oração" e Jr 7,11 casa de Deus como "covil de ladrões", dando a entender que a casa de oração não é má em si, mas o é quando lhe falta a prática de justiça! E para a comunidade mateana, como podemos perceber no texto evangélico dominical, justiça significa acolher a todos e proporcionar a todos (judeus e não judeus naquele tempo e todas as pessoas, de qualquer classe, credo religioso ou opções pessoais, no hoje) o conhecimento da Palavra de Deus expresso pelo seguimento de Jesus.
Paz e mercê!
Frei Inácio José, mercedário
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Não basta crer, é preciso viver
O Evangelho deste nono domingo do tempo comum (Mt 7,21-27) quebra alguns conceitos que temos em nossa cabeça. Muitos pensamos que basta crer em Jesus para entrar na dinâmica do Reino e não é verdade (v. 21)! É preciso fazer a vontade do Pai. Quem a faz, pertence à família de Jesus (Mt 12,50).
Às vezes pensamos que nossas atitudes são evangélicas, mas na verdade podem estar carregadas de um desejo de se auto promover: profetizar em nome de Jesus, expulsar o mal e realizar prodígios podem não ser da vontade do Pai. O serviço que presto em minha comunidade será vontade do Pai? O que me motiva a servir? A estes que buscam autopromoção ou a própria vontade Jesus tem uma palavra dura "naquele dia": "nunca vos conheci". "Naquele dia" faz referência ao último dia no qual seremos julgados por Deus através de nossos atos de amor (Mt 25, 31ss) e "conhecer" na Bíblia significa intimidade, profundidade e também faz referência ao último dia no qual os imprudentes, os que não viveram a fidelidade à Palavra de Deus não serão conhecidos por Deus (Mt 25,12).
Depois Jesus conta uma parábola: quem escuta "estas palavras" é semelhante a alguém que constrói sua casa sobre a rocha. "Escutar" é um dos verbos mais importantes da Bíblia. É com ele que se começa a famosa oração bíblico-judaica "Shemá Israel": "escuta Israel, o Senhor é nosso Deus, um é o Senhor". É preciso acima de tudo escutar a Palavra do Senhor para colocá-la em prática. “Estas palavras” se referem às próprias palavras de Jesus no evangelho de Mateus – desde o capítulo 5 Jesus está pronunciando o seu famoso “sermão da montanha”, onde ele estabelece quais são os fundamentos da vida cristã. Os caps 5 a 7 de Mateus, são a “carta magna” da vivência cristã. O evangelho que refletimos aqui termina todo este discurso de Jesus. “Rocha”: em diversos salmos, Deus é chamado de “rocha” (Sl 19,14; 28,1; 31,2s etc). “Construir casa sobre a rocha” pode significar o colocar como alicerce de nossa existência a Palavra de Deus proclamada por Jesus (“estas palavras”). Jesus é nossa rocha e nada mais. A quem, como cristãos temos dado mais ouvidos: a Jesus e seus valores ou aos valores do mundo capitalista de hoje? Vemos hoje em dia um mundo em caos justamente por padecer de valores... Não se assemelha por acaso à casa construída na areia cujas tempestades vêem e destroem?
Que cada dia sejamos mais fiéis na construção do Reino, tendo por fundamento os ensinamentos de Jesus.
Paz e Mercê.
Frei Inácio José, mercedário
segunda-feira, 2 de junho de 2008
CNBB
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5o e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação in vitro e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização.
A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.
Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.
Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.
No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.
Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.
Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.
A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.
Brasília, 29 de maio de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
quinta-feira, 29 de maio de 2008
FREI GERSONEIDE - MERCEDARIO. MERCEDARIO????
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL582277-9825,00-PADRES+DO+RIO+TROCAM+O+ALTAR+POR+PELADA+COM+ZICO+NO+MARACANA.html
domingo, 25 de maio de 2008
Oitavo domingo comum
Deus não se esquece dos seus...
O texto de Isaías 49,14-15 quer nos transmitir a idéia de que Deus não se esquece e nem abandona o seu povo. Esse texto está no contexto de exílio de Israel na Babilônia, momento de intensa crise, na qual o povo se sentiu de fato abandonado por Deus. Isaías, usando a imagem da mãe que não abandona seu filho (imagem que talvez hoje em dia precisa ser revista, pois, pelos jornais, presenciamos abandonos de crianças em lixos, lagoas e até filhos sendo jogados pelas janelas!!!) deseja inculcar no povo que Deus está junto dele e que mais cedo ou mais tarde a libertação acontecerá. O mesmo podemos pensar hoje: em nossos momentos de crise pessoal, familiar e social, muitas vezes pensamos que Deus nos abandonou, tal como o salmista “Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (Sl 13,1), mas no final experimentaremos o consolo e ajuda de Deus que é ternura, amor, carinho e presença mais que amiga em nossos momentos de tribulação.
Administradores da graça de Deus
“Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4,1). Não é somente o padre, o bispo, ou os líderes da comunidade que devem ser sinais da presença de Deus no meio da mesma. TODA A COMUNIDADE É SINAL DA PRESENÇA DE DEUS. Uma comunidade que acolhe com carinho seus membros, que perdoa, que se preocupa com os que a abandonam, que cuida de seus enfermos, é sinal de mistério misericordioso que é o próprio Deus. É pelo jeito como a comunidade se comporta e age é que sabemos em que Deus essa comunidade crê. Não somos donos de Deus: somos servidores desse mistério da qual não temos total compreensão, mas que queremos viver. Não somos detentores do mistério, mas administradores: o mistério não é nosso, é de Deus, é o próprio Deus, o qual queremos com disponibilidade servir e amar.
Buscar o Reino e tudo o mais vem por acréscimo
Mt 6,24-34 está inserido no contexto maior do “Sermão da Montanha” (Mt 5-7) que é a “carta magna” do cristianismo no evangelho de Mateus. Do mesmo modo que Moisés na montanha recebe a Torah e a transmite ao povo, Jesus sobe à montanha e ensina o seu jeito de ler a Torah.
Nosso texto tem como mensagem principal ao meu ver que não devemos gastar nossas forças nos preocupando em demasia com o futuro. Devemos gastar nossas forças no hoje buscando construir um mundo novo de solidariedade e paz – Reino de Deus. Isso é o que realmente importa. Os exemplos que Jesus nos dá nos confortam, pois mostram que acima de nós está Deus que zela com carinho e cuidado por cada um. Mesmo que façamos tudo para garantir o nosso bem estar, mesmo assim, se não houver a mão carinhosa de Deus a zelar por nós, nossas iniciativas poderão estar fadadas ao fracasso.
Esse texto nos questiona sobre qual é o sentido último de nossa vida: dinheiro ou Deus? Podemos pensar que tendo dinheiro todos os nossos problemas poderão estar resolvidos, o que não é verdade. Somente Deus é que pode nos dar uma vida plena de sentido!
Frei Inácio, mercedário. Paz e Mercê!




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