sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA



DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA


“DE PEQUENO PASTOR E PEÃO BRAÇAL A MINISTRO GERAL DA ORDEM MERCEDÁRIA, BISPO NOS CAATINGAIS DO NORDESTE E HOJE A CAMINHO DOS ALTARES”


A teologia cristã entende que a santidade não é um luxo espiritual de que participam apenas alguns privilegiados. Ao contrário, sabe que é apenas através de uma incontável multidão de homens e mulheres de fé que se manifesta na história a deslumbrante face de Deus. O mundo não pode ignorar o testemunho de milhões de mártires, milhões de vidas consagradas ao bem espiritual da humanidade, nas famílias cristãs e nas diversas instituições que promovem e sustem a fé. Estas vidas fermentam com o bem a história dos povos e promovem neles um humanismo íntegro, o bem sem acanhamento, o heroísmo sem estardalhaço; e revelam silenciosamente a semente de Deus que existe no homem. Deus se manifesta até mesmo através da morte dessas pessoas. Elas morrem e permanecem “vivas”.

É assim que perdura entre nós a fisionomia de um homem, cuja vida e morte foram e continuam sendo para os que o conheceram uma fascinante linhagem do sobrenatural: Dom Inocêncio Lopez Santamaría. Inocêncio nasceu em Sovellanos ( Burgos ) – Espanha em 28 de dezembro de 1874. Procedia da família mais pobre daquele povoado. Até os quinze anos foi pastor e peão braçal. Entrou na Ordem dos Mercedários, que se tornou Ministro Geral. Foi nomeado Bispo de uma região atrasadíssima do Nordeste e grande figura do episcopado brasileiro. Trocou todas as mordomias religiosas das instituições romanas pelas selas duras e as secas impiedosas do sertão piauiense. Aí durante quase trinta anos, numa austera pobreza ele desenvolveu um trabalho humano e religioso que vale a pena recorda-lo.

A Ordem Mercedária, - da qual foi Mestre Geral, a igreja – da qual foi Bispo e o povo da diocese de Bom Jesus, do qual foi Pastor e Pai não o esqueceu jamais e celebram sempre sua memória como um gratificante dom de Deus. Lêem sua vida como a reedição de um belo romance da fé e do amor doação; e o seu trabalho apostólico naquela região, como uma epopéia do amor humilde e da entrega sem reservas.

Durante vinte e oito anos no Piauí D. Inocêncio realizou um duro e austero trabalho religioso, social e cultural: inspirou e deu forma a institutos religiosos, criou escolas e mandou abrir estradas, mas sobretudo administrou, com heróico grau de santidade, sua ação evangelizadora naquela imensa e atrasada região.

Sempre disposto, com entusiasmo contagiante, pregava, celebrava, escrevia, ensinava e administrava tanta sorte de serviços. Nunca estava ocupado demais como para não cuidar de detalhes que considerava essenciais, como visitar os presos e os doentes, catequizar as crianças, falar aos jovens. Preocupava-se com a saúde espiritual, moral e física de cada pessoa. E mais: tinha sempre um sorriso para cada um que dele se acercava, uma palavra de conforto para cada dor, de encorajamento para todos.
Apesar de trabalho numa das regiões mais pobre da terra, nunca deixou de acreditar naquele povo que ele amava com o coração de pai e ao qual ele sempre se antecipava na busca de soluções para todos os grandes problemas que afligiam a região.

Morreu aos 81 anos de idade, em 1958, e está sepultado na catedral de São Raimundo Nonato. É uma das figuras mais notáveis da recente história da evangelização espanhola na América; e conforme seu admiradores e biógrafos, predestinado ao caminho dos altares.

Neste momento de celebração dos 85 anos dos Mercedários no Brasil a revista Mercê se une aos devotos e admiradores de Dom Inocêncio, celebrando a sua memória.






fonte: Revista Mercê

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