segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Transfiguração e vocação

O Evangelho da Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-9) pode ser lido em chave vocacional. Jesus sobe ao monte com alguns dos seus e lá manifesta sua glória como estímulo a que os discípulos não desanimem uma vez que Ele mesmo já havia anunciado o seu sofrimento e morte em Jerusalém por parte das autoridades judaicas (Mt 16, 21-22). Em sua transfiguração duas personagens importantes do Primeiro Testamento aparecem ao lado de Jesus: Elias – símbolo da tradição profética de Israel e Moisés – símbolo da Torah (Lei). Ambos estão ali como testemunhas de que Jesus é o Filho Amado do Pai o qual nós devemos ouvir.
Transfigurar significa “mudar de figura”. Jesus deixou transparecer em sua humanidade a divindade que estava escondida. Nesse período quaresmal somos vocacionados por Deus a transfigurarmos tudo aquilo que é morte, pecado e que estão presentes em nós. O mal em nós deve ser convertido em bem. Outro pensamento que podemos ter é que, no mundo no qual vivemos, a nossa verdadeira dignidade de filhos e filhas amados de Deus não tem se manifestado. Desta forma, é necessário transfigurar o mundo, afim de que este proporcione possibilidade a todos de viverem plenamente a sua dignidade.
A experiência do “monte tabor” é muito boa, mas não pode nos alienar do mundo. Pedro queria ficar lá contemplando o Cristo glorioso (como muitos de nós)! Antes, contudo, precisamos aprender a ver Jesus no que sofre, nos crucificados de hoje. Em linguagem bem mercedária: ver Jesus nos cativos de nossa sociedade. Experiência religiosa concreta e autêntica nunca aliena, mas nos lança ao mundo com o desafio de transfigurá-lo conforme o desejo de Deus.
Que Deus nos ajude em nossa caminhada vocacional e quaresmal, afim de que realizemos plenamente o chamado de Deus em nossa vida seja ele qual for.
Paz e liberdade!
Frei Inácio José, mercedário

Nenhum comentário: