sexta-feira, 2 de maio de 2008

festa São Pedro Nolasco - 2008

Ave Maria


Prot. 17/08
Roma, 1 de maio de 2008



Destinado por Maria para quebrar as correntes



Queridos confrades,


A alegria de Jesus Ressucitado ilumine e encha, sempre mais, a nossa vida de felcidade, dando-nos a força necessária de prosseguir o nosso caminho redentor, em meio às dificuldades que o mundo, como um mar em tempestade, nos apresenta continuamente.
A figura de São Pedro Nolasco se apresenta a nós iluminada de luz pascoal que, uma vez mais, nos dispomos a celebrar sua festa anual. Os séculos não conseguiram envelhecer e nem manchar a sua imagem, pois tão evidente é a sua grandeza. “Pedro Nolasco, humilde protagonista da realidade quotidiana.... aparece com uma consistência humana, uma acentuação evangélica tal, de chamar a atenção dos mais distraídos. Com uma mensagem que contém uma dimensão provocatória de grande atualidade”, para usar uma expressão de Alessandro Pronzato.
Ele oferece um ideal que espanta e fascina ao mesmo tempo. Sim, por um lado suscita temor pelo sacrifício que exige e pelo fato de não estarmos preparados; por outro lado, fascina porque, apesar de tudo, continua a suscitar almas generosas, desejosas de seguir Jesus Redentor, que com a sua duríssima morte de cruz, inaugurou na humanidade e para a humanidade, uma vida nova.
Nós, seus filhos e herdeiros, devemos direcionar os nossos olhos e o coração à sua gigantesca figura, para que, aproximando-nos dele, possamos nos preencher daquilo que é realmente importante: o amor. Um amor para ser distribuído abundantemente, depois de tê-lo acolhido e assimilado, pois o amor é a única realidade da qual a humanidade continua a ter necessidade. Isso, em síntese, é o verdadeiro sentido da celebração da sua festa.
Duas atitudes nos devem guiar na solenidade do nosso santo Pai Fundador: a alegria do encontro e o desejo de fazer presente e atual o seu carisma. Uma alegria legítima e um desejo necessário. A alegria de reconhecê-lo como pai e o desejo de seguir o seu rastro de amor e de liberdade da qual temos tanta necessidade.
Os últimos papas, mesmo com palavras diferentes, chegaram a prever que a humanidade viveria a civilização do amor. Para conseguir tal objetivo, a estrada é, sem dúvidas, longa e difícil, mas não podemos desistir do empenho de fazermos, também nós, a nossa parte. No mundo tem tanto amor, também nós somos testemunhas e portadores de amor. Infelizmente, porém, a humanidade está ainda muito longe de ter alcançado símile objetivo. A violência, em todos os níveis, faz de tudo para enterrar o amor, distanciando ainda mais a meta. Por outro lado, temos a certeza que a violência não conseguirá destruir o amor, pois o amor é o próprio Deus, e nada e ninguém impedirá que Deus realize seus objetivos. O caminho do amor, devemos reconhecer, não é facíl. Temos muito o que combater. Uma luta que confirma o dito que diz que faz mais barulho uma ávore que cai do que uma floresta que cresce.
Para nós, filhos de São Pedro Nolasco, existem dois modos clássicos, muito precisos, para nos aproximar da figura de nosso Santo Fundador, para conhecermos e amá-lo sempre, sobretudo por ocasião da sua festa: é a Liturgia e as Constituições. Não podemos nos distanciar desses dois pontos de referência.
Os formulários da liturgia exaltam a eterna misericordia de Deus. Ele vê a aflição do seu povo e intervém, pela libertação do seu povo, pedindo a colaboração de simples criaturas. Ele ama indendificar-se com os pequenos, com os oprimidos, com os necessitados, para esses Ele manda aqueles da sua confiança. A sequência, em particular, de onde tirei as palavras para o início da presente carta, fala de Pedro Nolasco que em nome de Maria Santíssima começa a quebrar as correntes. É a típica atividade pela qual São Pedro Nolasco consagra a sua existência. Como seus seguidores, essa é também a nossa atividade.
Com frequência escutamos dizer que a escravidão não existe mais, pois foi abolida pela lei. Infelizmente sabemos que as coisas não estão exatamente assim. Os modos com os quais tantos homens e tantas mulheres são maltratados até o ponto de serem privados da liberdade e da dignidade de filhos de Deus, está a vista de todos. Vem-me em mente os versos que um cantor (Giosy Cento) dedicou a São Pedro Nolasco: “Os pobres estão sempre aqui conosco, mudam nome, talvez não mudam de senhor. Ontem sem pão, hoje sem amor, ontem sem casa, hoje cansados da vida. Jovens drogados, crianças abandonadas, homens, não importa quando, devem ser libertados. Cristo vive neles...”.
Segundo as Constituições “... São Pedro Nolasco é para nós o sinal mais forte do amor redentor de Jesus e o realizador mais perfeito da obra libertadora de Maria. Por isso, procuramos imitar sua vida, continuamos sua ação dentro da Igreja e o veneramos como Pai.”
Nessas palavras que gosto de repetir, encontro a justificação para celebrar individualmente e comunitariamente a festa de nosso Santo Fundador. Ela não deve ser um simples dia do calendário que conta vinte quatro horas. Essa festa constitui um compromisso que nos estimula a rever o nosso estilo de vida e as nossas escolhas precisas, tendo diante dos olhos a essência do nosso carisma. Infelizmente a escravidão não acabou e nós, com o exemplo de São Pedro Nolasco, devemos buscar e individualizar a pérola preciosa, da qual fala o Evangelho, para restituir a cada homem o seu fundamental valor, a sua semelhança com Jesus.
Que possamos viver uma santa festa do nosso Fundador, renovando com ele o empenho de dar a vida para que cada homem experimente a alegria da verdadeira liberdade. Esse é o desejo e os parabéns que dirijo a todos, rogando que se torne para todos uma doce realidade.

Com fraterno afeto,




P. Giovannino Tolu
Mestre Geral

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