Deus não se esquece dos seus...
O texto de Isaías 49,14-15 quer nos transmitir a idéia de que Deus não se esquece e nem abandona o seu povo. Esse texto está no contexto de exílio de Israel na Babilônia, momento de intensa crise, na qual o povo se sentiu de fato abandonado por Deus. Isaías, usando a imagem da mãe que não abandona seu filho (imagem que talvez hoje em dia precisa ser revista, pois, pelos jornais, presenciamos abandonos de crianças em lixos, lagoas e até filhos sendo jogados pelas janelas!!!) deseja inculcar no povo que Deus está junto dele e que mais cedo ou mais tarde a libertação acontecerá. O mesmo podemos pensar hoje: em nossos momentos de crise pessoal, familiar e social, muitas vezes pensamos que Deus nos abandonou, tal como o salmista “Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (Sl 13,1), mas no final experimentaremos o consolo e ajuda de Deus que é ternura, amor, carinho e presença mais que amiga em nossos momentos de tribulação.
Administradores da graça de Deus
“Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4,1). Não é somente o padre, o bispo, ou os líderes da comunidade que devem ser sinais da presença de Deus no meio da mesma. TODA A COMUNIDADE É SINAL DA PRESENÇA DE DEUS. Uma comunidade que acolhe com carinho seus membros, que perdoa, que se preocupa com os que a abandonam, que cuida de seus enfermos, é sinal de mistério misericordioso que é o próprio Deus. É pelo jeito como a comunidade se comporta e age é que sabemos em que Deus essa comunidade crê. Não somos donos de Deus: somos servidores desse mistério da qual não temos total compreensão, mas que queremos viver. Não somos detentores do mistério, mas administradores: o mistério não é nosso, é de Deus, é o próprio Deus, o qual queremos com disponibilidade servir e amar.
Buscar o Reino e tudo o mais vem por acréscimo
Mt 6,24-34 está inserido no contexto maior do “Sermão da Montanha” (Mt 5-7) que é a “carta magna” do cristianismo no evangelho de Mateus. Do mesmo modo que Moisés na montanha recebe a Torah e a transmite ao povo, Jesus sobe à montanha e ensina o seu jeito de ler a Torah.
Nosso texto tem como mensagem principal ao meu ver que não devemos gastar nossas forças nos preocupando em demasia com o futuro. Devemos gastar nossas forças no hoje buscando construir um mundo novo de solidariedade e paz – Reino de Deus. Isso é o que realmente importa. Os exemplos que Jesus nos dá nos confortam, pois mostram que acima de nós está Deus que zela com carinho e cuidado por cada um. Mesmo que façamos tudo para garantir o nosso bem estar, mesmo assim, se não houver a mão carinhosa de Deus a zelar por nós, nossas iniciativas poderão estar fadadas ao fracasso.
Esse texto nos questiona sobre qual é o sentido último de nossa vida: dinheiro ou Deus? Podemos pensar que tendo dinheiro todos os nossos problemas poderão estar resolvidos, o que não é verdade. Somente Deus é que pode nos dar uma vida plena de sentido!
Frei Inácio, mercedário. Paz e Mercê!
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