Como ovelhas sem pastor...
Jesus: o bom pastor. Os discípulos de Jesus enxergaram nele o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10,11). “Pastor” na Bíblia, além de significar o sujeito que toma conta do rebanho das ovelhas, simboliza também o ofício dos que são responsáveis pela direção e condução do povo de Israel, de tal maneira que, se o povo se extravia, ou se perde, ou sofre alguma catástrofe, os profetas responsabilizam os maus pastores do povo (cf. Ez 34; Zc 11,17 e outros). O povo de Israel exilado diante disso reafirma que somente Deus pode ser de fato o pastor do povo, aquele que cuida com carinho e não abandona jamais (Sl 23). Jesus nos evangelhos assume essa postura.
Jesus se preocupa com os seus. Jesus se compadece do povo (Mt 9,36) porque estão como ovelhas sem pastor, ou seja, sem liderança que os conduza nos caminhos da justiça, fraternidade e no cumprimento da Torah. Para isso suscita discípulos para fazer o que ele mesmo fez (Mt 10, 1-4) com a intenção, sobretudo de ir aos perdidos do próprio povo (Mt 10, 5-8). A comunidade de Mateus, quando escreve seu evangelho está passando por forte crise: muitos dos seus estão deixando a comunidade para seguir outros movimentos judaicos da época. Por este motivo existe nesse texto a preocupação “com os de dentro”, afim de mantê-los na comunidade, vivendo a Torah segundo a interpretação de Jesus, o Messias. Em todo evangelho de Mateus, Jesus se apresenta como um verdadeiro intérprete da Torah, que garante a legitimidade da prática da comunidade mateana.
Autoridade dividida. Nesse mesmo evangelho vemos Jesus dando autoridade aos apóstolos a fazerem o mesmo que ele fez (Mt 10,1). Jesus não centralizou as coisas em suas mãos, mas dividiu o seu poder com a comunidade. O mesmo deve ser em nossas comunidades hoje: não é o padre que tem decidir tudo e ter a palavra e ação final. Mas sim a comunidade. O evangelho de Mateus deixa isso bem claro: Jesus dá a mesma autoridade a Pedro (Mt 16, 19) à comunidade (Mt 18,18). O poder na comunidade cristã é partilhado, não é para estar nas mãos de um só.
Atualizando o Evangelho. Como Igreja podemos ter duas iniciativas: buscar mais gente para nossas comunidades ou nos preocupar em formar os que dela já fazem parte. O evangelho deste domingo nos leva a pensar na formação para com os de dentro, os que já fazem parte de nossas comunidades e paróquias. Muitas vezes somos relapsos com os de dentro, não lhes fornecendo uma formação sólida que seja capaz de responder aos desafios de nossos tempos... Talvez seja por isso que muitos “deixam o rebanho” e vão para outros ambientes nos quais sentem-se acolhidos, amados e, sobretudo, bem formados. Por mesquinhez muitas vezes os líderes de nossas comunidades não formam os seus membros. Existe muita gente boa por aí, disposta a se formar, a encarar estudos teológicos, a se preparar bem para serem bons catequistas e agentes de pastoral, mas, sei lá por quais motivos (financeiro, ideológico, jogos de poder etc) não são preparados e nem sequer estimulados a isso. Que este domingo nos ensine então: a nos preocupar com a qualidade formativa dos membros de nossas comunidades – importa é a qualidade dos discípulos e não a quantidade deles! E que o exemplo de Jesus nos ensine a não centralizarmos o poder, as decisões de nossas comunidades, mas que vivamos de fato o espírito de comunidade, onde todos têm voz e vez, participando das iniciativas da evangelização da Igreja.
Paz e Mercê!
Frei Inácio José, mercedário
Jesus: o bom pastor. Os discípulos de Jesus enxergaram nele o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10,11). “Pastor” na Bíblia, além de significar o sujeito que toma conta do rebanho das ovelhas, simboliza também o ofício dos que são responsáveis pela direção e condução do povo de Israel, de tal maneira que, se o povo se extravia, ou se perde, ou sofre alguma catástrofe, os profetas responsabilizam os maus pastores do povo (cf. Ez 34; Zc 11,17 e outros). O povo de Israel exilado diante disso reafirma que somente Deus pode ser de fato o pastor do povo, aquele que cuida com carinho e não abandona jamais (Sl 23). Jesus nos evangelhos assume essa postura.
Jesus se preocupa com os seus. Jesus se compadece do povo (Mt 9,36) porque estão como ovelhas sem pastor, ou seja, sem liderança que os conduza nos caminhos da justiça, fraternidade e no cumprimento da Torah. Para isso suscita discípulos para fazer o que ele mesmo fez (Mt 10, 1-4) com a intenção, sobretudo de ir aos perdidos do próprio povo (Mt 10, 5-8). A comunidade de Mateus, quando escreve seu evangelho está passando por forte crise: muitos dos seus estão deixando a comunidade para seguir outros movimentos judaicos da época. Por este motivo existe nesse texto a preocupação “com os de dentro”, afim de mantê-los na comunidade, vivendo a Torah segundo a interpretação de Jesus, o Messias. Em todo evangelho de Mateus, Jesus se apresenta como um verdadeiro intérprete da Torah, que garante a legitimidade da prática da comunidade mateana.
Autoridade dividida. Nesse mesmo evangelho vemos Jesus dando autoridade aos apóstolos a fazerem o mesmo que ele fez (Mt 10,1). Jesus não centralizou as coisas em suas mãos, mas dividiu o seu poder com a comunidade. O mesmo deve ser em nossas comunidades hoje: não é o padre que tem decidir tudo e ter a palavra e ação final. Mas sim a comunidade. O evangelho de Mateus deixa isso bem claro: Jesus dá a mesma autoridade a Pedro (Mt 16, 19) à comunidade (Mt 18,18). O poder na comunidade cristã é partilhado, não é para estar nas mãos de um só.
Atualizando o Evangelho. Como Igreja podemos ter duas iniciativas: buscar mais gente para nossas comunidades ou nos preocupar em formar os que dela já fazem parte. O evangelho deste domingo nos leva a pensar na formação para com os de dentro, os que já fazem parte de nossas comunidades e paróquias. Muitas vezes somos relapsos com os de dentro, não lhes fornecendo uma formação sólida que seja capaz de responder aos desafios de nossos tempos... Talvez seja por isso que muitos “deixam o rebanho” e vão para outros ambientes nos quais sentem-se acolhidos, amados e, sobretudo, bem formados. Por mesquinhez muitas vezes os líderes de nossas comunidades não formam os seus membros. Existe muita gente boa por aí, disposta a se formar, a encarar estudos teológicos, a se preparar bem para serem bons catequistas e agentes de pastoral, mas, sei lá por quais motivos (financeiro, ideológico, jogos de poder etc) não são preparados e nem sequer estimulados a isso. Que este domingo nos ensine então: a nos preocupar com a qualidade formativa dos membros de nossas comunidades – importa é a qualidade dos discípulos e não a quantidade deles! E que o exemplo de Jesus nos ensine a não centralizarmos o poder, as decisões de nossas comunidades, mas que vivamos de fato o espírito de comunidade, onde todos têm voz e vez, participando das iniciativas da evangelização da Igreja.
Paz e Mercê!
Frei Inácio José, mercedário
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Um comentário:
A cada dia sinto que a igreja de Jesus precisa de operarios preparados e nao é só querer, mas é necessário estar preparado para ajudar aos irmaos. O serviço é importante e necessário e sinto falta de uma acolhida maior por parte dos dirigentes das paróquias.
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