Misericórdia e não sacrifício
Mt 9, 9-13
O texto desse evangelho nos mostra Jesus chamado Mateus, coletor de impostos para o seguimento. Isso significa que os discípulos de Jesus que escreveram este evangelho admitiam em sua comunidade a presença de pessoas que colaboravam com os gentios, aqui no caso, Roma. Isso era inadmissível para certas correntes judaicas, tais como a escola rabínica de Shamai da época de Jesus, que não admitiam a convivência com não judeus. Outra famosa escola rabínica da época de Jesus era a de Hillel, que admitia a convivência com não judeus com a intenção de lhes ensinar a Torá, ou seja a vivência da Palavra de Deus. O termo "segue-me" é um termo técnico que denota a relação entre um rabino e seu discípulo.
Depois o texto segue dizendo que Jesus comia com pecadores e coletores de impostos – atitude de inclusão para com os que eram judeus colaboradores com os opressores romanos e para com os não judeus (pecadores por não viverem a Torá). "Os fariseus" se aproximam e questionam essa atitude, talvez por serem do grupo dos mais rigorosos (Shamai) e não dos mais "misericordiosos" (Hillel).
Daí Jesus responde que os doentes é que precisam de médico, que ele veio para os pecadores e não para os justos – veio para incluir as pessoas na vivência da Palavra e não para os que já vivem a Palavra (justos); além disso, cita Oséias 6,6 "quero misericórdia e não sacrifício". Como interpretar isso? Os profetas sempre denunciaram o culto religioso sem a prática da justiça (Os 6,6; Am 5,21; Mq 6,8; Is 58). O culto religioso é bom, mas sem a justiça e o amor vividos ele se torna vão, sem valor e sem sentido. Em Mt 21,12-13, vemos Jesus expulsando os vendedores do Templo usando como argumento Is 56,7 "minha casa será casa de oração" e Jr 7,11 casa de Deus como "covil de ladrões", dando a entender que a casa de oração não é má em si, mas o é quando lhe falta a prática de justiça! E para a comunidade mateana, como podemos perceber no texto evangélico dominical, justiça significa acolher a todos e proporcionar a todos (judeus e não judeus naquele tempo e todas as pessoas, de qualquer classe, credo religioso ou opções pessoais, no hoje) o conhecimento da Palavra de Deus expresso pelo seguimento de Jesus.
Paz e mercê!
Frei Inácio José, mercedário
segunda-feira, 9 de junho de 2008
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Um comentário:
Vejo um Jesus que só é amor. Jesus nao tem misericordia Ele é a propria misericordia. Jesus nao tem preconceitos nao coloca condições Ele ama incondicionalmente. Apesar de ter sido incompreendido, Ele veio para unir, para fazer a aliança com todos os povos.Qunado as pessoas conhecerem de fato, viverem de verdade a essencia dos ensinamentos de Jesus, serao libertos de toda opressao, de toda vaidade, de toda arrogancia, enfim, conhcerao a verdadeira liberdade que é viver em aliança com o Pai
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