César e Deus...
Deuses de ontem...
Nos tempos de Jesus, os imperadores romanos se faziam adorar como deuses. Eram chamados de “augustos”, de “divinos”. Nas moedas do império apareciam suas fisionomias e seus nomes. Ai daqueles povos por eles escravizados que não usassem destas moedas, aceitando de certa forma o jugo do opressor...
O único Deus.
O povo de Jesus, de certa forma não aceitou. Desde os tempos do exílio babilônico, este povo confessava a unicidade divina: Deus é UM. Não existe outro Deus a não ser o Senhor. E este Deus UM escolheu Israel para mostrar esta unicidade divina. Deu-lhe uma terra Israel, para ser um espaço de liberdade em contraponto com a escravidão egípcia outrora vivida. Inadmissível era, portanto, ver esta terra pisada e dominada por estrangeiros. Inadmissível era ver imperadores se colocando no lugar do Deus UM. Como conseqüência dessa fé, muitas revoltas e movimentos contrários a Roma aconteciam no povo judeu. Eram abafados mediante a violência e crucificação.
César X Deus.
“Dar a César...”,“Dar a Deus”... Duas realidades paradoxais. Humano e divino não são contrários entre si. Pela encarnação cremos que Deus se fez plenamente humano, igual a nós em tudo, menos no pecado. Neste domingo, somos chamados a fazer de nossa humanidade um espaço de manifestação da vontade de Deus. O humano não deve oprimir o divino que quer se manifestar em nosso meio.
Neste Evangelho Jesus se posiciona contra o culto do imperador e contra a sua dominação sobre o povo de Israel. Pois “dar a Deus o que é dele” significa dar o seu povo judeu, dar a sua terra Israel a Deus. Isto pertence a Deus e todo judeu pensaria assim, pois já estava nas Escrituras que toda a terra pertence a Deus da mesma forma que o povo judeu. Jesus não comunga da idolatria opressora romana, da qual parece, o texto deixa a entender em sua narrativa, que os fariseus comungam, pois eis que levam consigo a moeda romana (?!), na qual estava expressa essa idolatria. Jesus não possui a moeda, por isso a pede aos seus acusadores...
Deuses de hoje...
Este texto nos faz pensar nos “césares de hoje”... Em nome do lucro, dinheiro, milhares de pessoas são excluídas do sistema, morrem de fome, são marginalizadas, transformadas em lixo social. Em nome do dinheiro não aceitamos as pessoas em nossas comunidades ou as tratamos de modo diferente. Por ter mais dinheiro que as demais nos julgamos melhores ou com mais direitos que os demais. Pra Deus o que importa é ser e não o ter! Para salvar bancos da falência investem-se milhões. Para financiar guerras investem-se bilhões. E para matar a fome? E para erradicar a pobreza? E para erradicar as doenças? E para educar a sociedade na paz e solidariedade? Hoje em dia vemos até o absurdo da graça de Deus sendo vendida aos que lhes compram com largas somas de dinheiro, vendas de milagres, vendas de sacramentos... a quem servimos, a Deus ou ao dinheiro? A César ou a Deus?
Deus nos abençoe e nos dê coragem de lhe darmos o devido lugar em nossa vida.
Paz e Mercê.
Inácio José, mercedário
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