domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL!


Caríssimos Sacerdotes!

No dia 19 de junho próximo, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, poderemos viver um intenso momento de fé, estreitamente unidos ao Santo Padre e entre nós, quando da celebração das Vésperas na Basílica de São Pedro, no Vaticano, iniciando assim o Ano Sacerdotal.
Diariamente somos chamados à conversão. Mas, neste Ano, o somos de um modo todo particular, juntamente com todos que receberam o dom da ordenação sacerdotal. Para que conversão? Converter-se para ser sempre mais autenticamente aquilo que somos. Conversão à nossa identidade eclesial para que o ministério seja totalmente consequente a tal identidade, a fim de que uma renovada e gozosa consciência do nosso “ser” determine o nosso “agir”, ou melhor, ofereçamos espaço a Cristo Bom Pastor, a fim de que viva em nós e atue através de nós.
A nossa espiritualidade não pode ser outra que o reflexo da espiritualidade de Cristo, único e Sumo Sacerdote do Novo Testamento.
Neste Ano, providencialmente anunciado pelo Sumo Pontífice, procuraremos, todos juntos, tomar como ponto de referência, a identidade de Cristo Filho de Deus, em comunhão com o Pai e o Espírito Santo, que se fez homem no seio virginal de Maria, e à sua missão de revelar o Pai e o seu admirável desígnio de salvação. Essa missão de Cristo também importa a fundação da Igreja: eis o Bom Pastor (cf. Jo. 19, 1-21), que doa a vida para a Igreja (cf. Ef. 5, 25).
Uma conversão diária, a fim de que o estilo de vida de Cristo seja sempre mais o estilo de vida de cada um de nós.
Devemos “ser” para os homens, devemos nos esforçar para viver em comunhão de um santo e divino amor com todas as pessoas, um amor que doa a vida (eis aqui também inscrita a riqueza do sagrado celibato), que leva à solidariedade autêntica com aqueles que sofrem e com os pobres de todos os gêneros de pobreza.
Devemos ser operários para a co-edificação da única Igreja de Cristo in terris. Por isso, devemos viver com grande motivação e fidelidade a comunhão de amor com o Papa, com os bispos, com os nossos irmãos e com todos os fiéis. Devemos viver a comunhão através do ininterrupto caminho da Igreja nas entranhas de seu mistério em ser Corpo Místico de Cristo.
Temos que avançar durante todo este Ano “dilatato corde”, na correspondência à nossa vocação, para, de verdade, cada um possa melhor dizer: “não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal. 2, 20).
A santidade dos sacerdotes repercute em benefício de todo o Corpo eclesial: os fiéis ordenados, como também os seminaristas, religiosos, religiosas e todos os fiéis leigos, todos juntos poderemos encontrar-nos na Basílica Vaticana para a celebração das Vésperas, presidida pelo Santo Padre, depois da acolhida da relíquia do coração daquele luminoso modelo que é São João Maria Vianney.
Aqueles que não estarão em Roma, poderão fazê-lo igualmente, nos próprios territórios, em união espiritual.

- Ingresso na Basílica a partir das 16h.
Acolhida da Relíquia às 17h30, seguida da celebração das Vésperas.
Os ingressos deverão ser solicitados através do fax número 06.69885863, junto à Prefeitura da Casa Pontifícia, e poderão ser retirados no dia anterior, no “Portone di Bronzo”, ao lado da Basílica.

- Os Sacerdotes deverão vestir a veste própria e os Religiosos, aquela do Instituto de pertença.

- O Ano Sacerdotal terminará com um Congresso Internacional em Roma, que se realizará de 09 a 11 de junho de 2010.
De tal evento, dar-se-á ampla e particularizada informação, até o final do corrente mês de junho.
Aqueles que desejarem participar, para todas as questões de ordem prática, poderão dirigir-se à “Opera Romana Pellegrinaggi”: Via della Pigna, 13/a, 00186 Roma. Tel. n. (0039) 06.69.89.61.



Vaticano, 01 de junho de 2009





X Mauro Piacenza
Arcebispo tit. de Victoriana
Secretário

sábado, 11 de abril de 2009

Semana Santa

Caros irmãos, estamos vivendo a Semana Santa, memória dos últimos momentos de vida de Jesus. Trata-se da festa cristã principal, a Páscoa do Senhor.

No Domingo de Ramos celebramos Jesus que entra em Jerusalém aclamado como Messias. No entanto como o seu messianismo não era o esperado, sobretudo pelos poderosos de seu tempo, ele é rejeitado e morto. Por isso esse domingo possui a ambigüidade de vermos Jesus sendo aclamado como rei e o mesmo Jesus morrendo crucificado. As leituras desse domingo nos fazem compreender Jesus como o servo-discípulo que enfrenta a maldade dos que não lhe compreendem (1 leitura); Jesus como o justo perseguido por causa de sua prática de justiça (salmo); Jesus como Deus, se esvaziando de sua glória, assumindo a nossa humanidade, na categoria dos últimos – escravos – (2 leitura); Jesus como o servo-sofredor, que morre por sua fidelidade ao projeto do Pai e em solidariedade com os mais pobres, na morte de cruz. Que tipo de messias imaginamos ser Jesus?

Na segunda feira santa, as leituras nos fazem perceber Jesus como o eleito de Deus para ser instrumento de justiça no meio dos seus, através da não-violência (1 leitura), por isso, contra a violência dos maus, ele confia e espera em Deus (salmo). Maria unge Jesus (evangelho), em vista de sua morte. É um ato de amor para com Jesus e este exorta o compromisso com os mais pobres: “pobres sempre tereis, por isso deveis ajuda-los (Dt 15,11). Será que somos promotores da violência? Como anda a nossa solidariedade para com os pobres?

Na terça feira, compreendemos Jesus como a luz das nações e não somente de Israel (1 leitura) e ele será luz quando chagar a sua “hora” que no evangelho de João é o momento da cruz, onde Jesus é glorificado pelo Pai e onde, segundo o mesmo evangelista atrairá todos a si. Já se aproxima esse momento... Será que somos abertos aos demais para anunciar-lhes a salvação ou achamos que Jesus veio somente para nós?

Na quarta feira santa, Jesus anuncia que Judas o entregará (evangelho). Aquele que era íntimo dele e que comia do mesmo prato, o entrega nas mãos das autoridades. Jesus continua fiel ao projeto do Pai (salmo) e assume o seu destino, não podendo voltar atrás em tudo aquilo que Ele viveu e anunciou do Reino de Deus. Será que permanecemos fiel à vontade do Pai mesmo contra as adversidades da vida?

Na quinta-feira santa celebramos a instituição da eucaristia, do sacerdócio e o gesto do lava-pés. Jesus celebrando a Páscoa judaica, memória da libertação do Egito, com os seus discípulos, projeta um novo significado: a ceia cristã será memória da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus (1 e 2 leituras). Participar da eucaristia é comungar da vida de Jesus! João no lugar do memorial eucarístico coloca o lava-pés, como que mostrando que o serviço aos demais é, para a comunidade de João, a memória de Jesus. Será que a cada eucaristia nos comprometemos com a vida e valores que Jesus nos ensinou? Será que a cada eucaristia nos tornamos mais parecidos com Jesus? Somos pessoas que servem às demais?

Na sexta-feira santa fazemos memória da morte de Jesus. Jesus morre por causa do modo como viveu e por sua fidelidade ao Reino querido por seu Pai (1 leitura). Por isso ele entrega confiante sua vida nas mãos do Pai, crendo que não se decepcionará por ter vivido assim (salmo). Condenado como herege e agitador político Jesus morre, vivendo até o fim a vontade do Pai (evangelho) e as comunidades cristãs interpretaram sua morte como necessária para que ele se tornasse o verdadeiro sacerdote que intercede por nós todos junto de Deus (2 leitura). Nossa salvação valeu a fidelidade de Jesus... Que valor damos a isso?

No sábado santo, fazemos a vigília pascal aguardando a ressurreição de Jesus. Fazemos memória da história da salvação: Deus criou o universo para ser espaço de manifestação de sua glória e amor. Porém o pecado entrou no mundo pelo abuso da liberdade humana. Daí vem a promessa de que Deus salvará o mundo das conseqüências do pecado. Isaac prefigura o sacrifício que Jesus fará mais tarde de si mesmo, dando a sua vida em fidelidade ao Pai, para a redenção do mundo. Lembramos a Páscoa judaica, onde Deus por Moisés liberta o povo do Egito, prefigurando a verdadeira libertação que é a da morte, que Jesus nos alcançará por sua ressurreição. Paulo nos lembra que ser batizado significa participar da vida Jesus, sermos como Ele. O batismo nos enxerta em Jesus e como ele morreu e ressuscitou, nós também um dia seremos ressuscitados como Ele. Jesus viveu e pregou o Reino na Galiléia entre os mais pobres e quando ressuscita volta para lá, mostrando que a esperança dos pequenos nunca é decepcionada por Deus. Temos esperança de que, através de nosso serviço, o mundo poderá ser transfigurado para melhor?

No domingo de Páscoa celebramos a vitória de Jesus sobre a morte. Pedro anuncia que Jesus, que passou a vida fazendo o bem foi ressuscitado por Deus. A ressurreição foi a resposta de Deus à vida de justiça que Jesus viveu. Assim Jesus se torna o modelo de ser humano a ser imitado por todos nós (1 leitura). Paulo nos lembra que, uma vez ressuscitados em Jesus devemos “buscar as coisas do alto”, o que não significa ser um alienado do mundo, mas viver no mundo segundo a vontade de Deus construindo a fraternidade tão querida por Ele (2 leitura). O Evangelho nos dá uma lição: o discípulo amado foi aquele que entrou no túmulo, viu e creu, ao passo que Pedro não. A semana santa termina e as coisas podem continuar do mesmo modo... Cabe a nós termos um olhar diferente sobre o mundo para perceber novas realidades possíveis de se viver. Realidades de fraternidade, solidariedade e amor...

Santa semana e Páscoa para todos nós!

Paz e mercê em abundância!

Frei Inácio José, mercedário

segunda-feira, 16 de março de 2009

Templos... (3º domingo da quaresma)

 

O evangelho deste domingo nos mostra Jesus expulsando os vendilhões do templo. Como todo bom judeu, Jesus amava o templo de Jerusalém, mas não concordava com a exploração que lá era feita pelos cambistas, que estavam a serviço dos interesses romanos. O evangelho de João foi escrito pelo ano 95 dc e o templo de Jerusalém já não existia, pois foi destruído pelos romanos em 70 dc. Por isso Jesus se refere a seu corpo como templo no texto, pois para a comunidade de João, Jesus é o verdadeiro templo, através do qual temos acesso a Deus. O texto talvez tenha resquício histórico da vida de Jesus, pois os quatro evangelhos relatam o fato.

O texto é colocado na quaresma já nos preparando para celebrar a semana santa. Por causa dos conflitos com as autoridades de seu tempo Jesus morreu. Além disso, percebemos também a intenção de João em nos mostrar Jesus anunciando a restauração do templo de seu corpo, interpretação da comunidade joanina sobre a ressurreição de Jesus. Jesus passará pela morte como conseqüência de sua fidelidade ao Pai, ao Reino e no enfretamento com o mal. Mas não permanecerá morto. O Pai lhe dará a vida eterna junto de si. A palavra final é sempre da vida e nunca da morte.

Podemos pensar no valor do templo hoje em dia. O templo é o local onde a comunidade se reúne para rezar. É lugar de encontro com Deus e com os irmãos. Por isso é importante participar das celebrações. Convivemos com os irmãos e louvamos a Deus. Amamos a Deus em nossos irmãos. Nossas comunidades não devem ter outro interesse senão o de ser um espaço alternativo na sociedade que propicie um clima de fraternidade e amor que nos propicie encontrar a Deus, mediante sua Palavra e a Eucaristia. É importante lembrar que nos reunimos em Deus e que Jesus é nosso templo, mediante o qual temos acesso ao Pai. E pelo Espírito que Ele nos derrama nos tornamos também “templos vivos de Deus”.

Que Deus nos conceda viver uma santa quaresma respeitando e amando a cada pessoa humana, qualquer seja, em sua dignidade humana, pois se trata de um templo vivo de Deus no meio de nós...

Paz e Mercê!

 

Levantado da terra (4º domingo da quaresma)

 

O evangelho deste quarto domingo da quaresma nos mostra Jesus falando que seu “levantamento da terra” é sinal de salvação de Deus. Moisés levantou a serpente como sinal no deserto para curar os que eram mordidos por cobras por serem rebeldes. A serpente também é símbolo da ressurreição: pelo fato de trocar constantemente de pele! Podemos pensar que a serpente morreu de vermos sua pele no chão, mas na verdade ela está é viva... Não se assemelha a ressurreição de Jesus? O que todos acharam que estava morto, na verdade está vivo e os discípulos de Jesus o comprovaram...

Deus não enviou Jesus para condenar, mas para salvar. Deus é amor e deseja que todos alcancem a salvação. Somos os que aceitam a salvação de Deus em Jesus ou somos os que não aceitam? João deixa bem claro: a possibilidade de condenação do mundo é porque esta recusa o Filho de Deus e não porque Deus queira condenar o mundo.

Jesus se apresenta como luz. Sua ação é luz. O curar os enfermos, o anunciar o Reino de Deus, o libertar dos demônios, o enfrentar a hipocrisia religiosa dos seus, o enfrentar o poderio dos romanos, enfim, toda a sua vida é luz e referência para os que se dizem seus discípulos. Jesus agiu em Deus, tudo o que fez era de acordo com o projeto do Pai. E nós? Será que também somos assim? Será que estamos em buscar de sermos luz do mundo e sal da terra como nos convida Jesus?

A quaresma vai caminhando para o seu fim e se aproxima o momento de colhermos os frutos de nossa penitência: os sinais de nossa mudança de vida, de conversão de mentalidade, de um voltar-se mais consistente para Deus. Quais os frutos que, pela graça de Deus, estou colhendo nessa quaresma?

Deus nos abençoe hoje e sempre!

Paz e Mercê!

 

Frei Inácio José, mercedário

sexta-feira, 6 de março de 2009

2° domingo quaresma.

TRANSFIGURANDO A MORTE...

 

No evangelho deste domingo vemos Jesus se transfigurar diante dos seus discípulos (Mc 9,2-10). Jesus antecipa a glória que terá depois da ressurreição, mostrando-a aos seus, na expectativa de que estes não desanimem quando o virem pregado e morto na cruz. Deus proclama que Jesus é seu Filho e que seus discípulos o devem escutar. Podemos considerar a transfiguração de Jesus como um momento de teofania, ou seja, no qual Deus se revela em Jesus para animar aos discípulos no caminho. Jesus é paradoxal: é Deus, mas se mostra fraco a ponto da morte de cruz. Isso na cabeça dos discípulos é complicado de entender e inclusive na nossa cabeça hoje, que queremos que Deus seja o Todo-poderoso para resolver as nossas questões. Deus se revela no humano e quando o humano consegue superar suas crises, aí está a manifestação de Deus. Pedro sofre a tentação de “ficar no Tabor” contemplando a glória do Senhor. Jesus rejeita essa postura, pois na cena posterior, todos descem do monte e começam a servir aos mais necessitados. A contemplação de Deus deve nos levar a ação para com o próximo que sofre.

Na primeira leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) vemos um texto no qual a tradição patrística da Igreja vê a prefiguração do sacrifício de Jesus. Isaac lembra Jesus sendo levado à morte. O cordeiro que é sacrificado em seu lugar lembra também Jesus sacrificado. No entanto Isaac sobrevive, não morre. Quem morre é o cordeiro. O mesmo se dá com Jesus: morre mas vence a morte, a supera, a destrói. É o que celebraremos na festa da Páscoa. A morte não é a palavra final, mas sim a vida. Em Jesus todos viveremos um dia por participarmos de sua Ressurreição. Aquele que entrega a vida, acaba encontrando-a de fato!

Na segunda leitura (Rm 8,31b-34) vemos como Paulo interpreta a morte de Jesus: como uma entrega de amor de Deus para a salvação da humanidade pecadora. Se compararmos com o texto de Gn, nos admiramos: Deus não permite a morte de Isaac, mas permite a morte do seu Filho para a salvação do mundo. Tão grande é o amor de Deus que nos chama a conversão, à vida nova. Qual a nossa resposta a esse amor?

Desta liturgia do 2° domingo quaresmal podemos aprender: 1. Deus se manifesta no humano, sobretudo no que aparenta ser mais fraco e simples. 2. Nossos momentos de oração e contemplação devem nos impulsionar ao amor concreto para com os mais necessitados de nosso tempo. 3. Viver uma vida de dedicação (sacrifício) aos demais pode parecer morte à primeira vista, mas no fundo é o sentido da vida: amar, se doar, se entregar.

Que o Senhor abençoe nossa caminhada quaresmal.

Paz e mercê em sua vida!

Frei Inácio José, mercedário 06/03/09

domingo, 1 de março de 2009

Desertos da vida...

 

Nesse primeiro domingo da quaresma ouvimos o evangelho de Mc 1, 12-15 que relata de maneira breve a estadia de Jesus no deserto por 40 dias. Os demais evangelistas sinóticos (Mt e Lc) contam o diálogo de Jesus e o diabo. Mc apenas fala que Jesus foi tentado, que viviam em meio aos animais selvagens e que os anjos o serviam. Tudo isso conduzido pelo Espírito.

Entramos com Jesus nesse deserto no período quaresmal. Do mesmo modo que Adão e Eva em Gn 2, 28-30, Jesus convive no meio das feras. Isso quer dizer que em Jesus uma nova criação acontece. Uma nova humanidade nasce. Para isso é necessário preparação, simbolizada pelos 40 dias, que nos lembram os quarentas anos de Israel caminhando no deserto rumo à terra prometida. O deserto além de ser espaço da provação (Israel se rebelou contra Deus no deserto, Jesus venceu suas provações no deserto usando da Palavra de Deus. Cf. as tentações de Jesus em Mt e Lc), também é espaço no qual Deus fala amorosamente ao coração segundo o profeta Oséias 2,14, chamando à conversão. Enfim, para que uma nova pessoa humana (“nós”) possa nascer se faz necessário entrar nesse deserto com Jesus e escutar a Palavra de Deus que nos chama a mudança de vida.

Jesus é sinal para nós da aliança que Deus fez com Noé: “nunca mais haverá dilúvio sobre a terra”, ou seja, Deus por sua própria vontade deseja amar definitivamente toda a humanidade, simbolizada por Noé. Deus nos ama não porque merecemos, mas porque Deus deseja nos amar. Eis a noção de graça já presente no Primeiro Testamento: misericórdia, amor, benevolência gratuita de Deus para com a humanidade. Deus não deseja a morte e nem o castigo ao pecador, mas deseja a sua salvação, a sua conversão. Deus deseja a nossa abertura para nos relacionarmos amorosamente com Ele. (Gn 9,8-15)

Já a carta de Pedro que ouvimos (1Pd 3,18-22) nos lembra o nosso batismo, fazendo uma leitura interpretativa do texto da arca de Noé em Gn. Dessa forma a arca simboliza o batismo que nos salva do castigo devido aos nossos pecados. Pelo batismo nos comprometemos a seguir Jesus, nos tornamos discípulos dele e continuadores de sua missão na terra. Pelo batismo queremos ser testemunhas desse amor gratuito que Deus tem por todas as suas criaturas, tal e qual Jesus.

Não tenhamos medo de entrar nesse deserto com Jesus. Lá seremos purificados de nossas falsas motivações no seguimento cristão (tentações). Se somos “corpo místico de Cristo” como ensina a Igreja e se Jesus saiu vencedor das suas (e nossas) tentações, seguindo a Palavra de Deus tal como Jesus, também nós sairemos do deserto vencedores de nossas tentações e seremos purificados em nosso discipulado cristão. Tenhamos a certeza de que, por mais difícil que seja encarar as nossas mazelas, maldades e fragilidades, Deus sempre estará conosco nos ajudando. Lembre-se: foi o Espírito que conduziu Jesus ao deserto. Ele também nos haverá de conduzir.

Paz e mercê de Deus em tua vida. Santa quaresma!

Frei Inácio José, mercedário

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A Criatividade do amor

 Marcos 2,1-12

 1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 

2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 
3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 
4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 
5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 
6Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 
7“Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando; ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. 
8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando em seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 
9O que é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda?’
10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, — disse ao paralítico: 
 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!”
12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”. 

Dentre a riqueza deste evangelho, destaco a criatividade das pessoas na busca da cura do paralítico. Abrir um buraco no teto e fazer com o que paralítico tenha um encontro com Jesus, dadas as circunstâncias da multidão que não permitia isso, foi simplesmente um ato genial. Até que ponto vai a fé das pessoas? Até que ponto vai o amor aos necessitados? Em dado momento nos evangelhos Jesus constata que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz” em seus negócios. Infelizmente percebemos isso ainda hoje em dia. Precisamos descobrir novas maneiras de levar as pessoas a um encontro pessoal com o Senhor, igual ao encontro proporcionado pelas pessoas ao paralítico.

Quem sabe não somos “paralíticos” em nossa criatividade no seguimento de Jesus? Se o nosso seguimento de Jesus cair na rotina, provavelmente um dia deixaremos de segui-lo. Deus é sempre novo! A experiência que fazemos Dele deveria ser sempre nova e renovadora das nossas vidas. Que o Senhor afervore o nosso discipulado!

Somente Deus perdoa os pecados. Ao curar o paralítico, perdoando os seus pecados, Jesus revela nesse evangelho a sua divindade. Os nossos pecados paralisam a nossa vida. Somos chamados a viver o amor, doação fraterna, solidariedade. O pecado, que possui sua raiz, sobretudo no fechamento em si mesmo e no egoísmo, não nos permite viver uma vida de oblação aos demais. Eis o verdadeiro pecado, o verdadeiro mal. Todos os demais decorrem de colocarmo-nos como centro de tudo!

Que bonito será quando vencermos o egoísmo e juntos construirmos um mundo melhor de se viver! Todos com certeza dirão: “Nunca vimos coisa assim”...

Deus nos abençoe.

Paz e Mercê em abundância em nossas vidas!

Frei Inácio José, mercedário


Porque o carnaval deve ser sinônimo de desrespeito à vida? Não deve ser... 

O ser humano é um ser que festeja. A festa nos tira da rotina e do cotidiano que muitas vezes nos massacra. De segunda a segunda trabalho, labuta, cansaço para ganhar um mínimo que mal dá para viver... Estamos em festa, estamos em carnaval, festa que antecede o período quaresmal da Igreja. Tempo propício para sair da rotina e relaxar...

Carnaval em si não é mal. O problema está no modo como usufruímos dele. Sair da rotina e do cotidiano não pode ser sinônimo da perca dos valores essenciais que respeitam a dignidade humana. Pena que andamos esquecendo isso... Parece que carnaval virou ausência de valores, caos levado ao extremo no qual absurdos se cometem em nome da folia e da falsa alegria.

Não há problema algum em tomar a sua cervejinha nesses dias. Mas porque beber e pegar o volante? Para matar as outras pessoas atropeladas? Ou então para, embriagados começarem a brigar estragando a festa e a folia de pessoas que talvez não tenham a ver com a confusão? A folia não deveria colocar a vida das pessoas em risco.

Porque banalizar a sexualidade nesses dias? Coisificar as pessoas em nome de um prazer momentâneo não é correto. Por isso a Igreja critica a distribuição de camisinhas nesses dias: não é pelo fato de combater a Aids (isso é bom), mas pelo fato de também ser um estimulo a uma vivência descompromissada da vida sexual nesses dias. E não é o que vemos? É impressão minha ou o “ninguém é de ninguém” vira norma nesses dias? E “quanto mais parceiros que pegar, melhor”? Nem os animais fazem isso... A folia não deveria banalizar a intimidade amorosa das pessoas.

Porque a violência nesses dias de festa? Porque pessoas inocentes tem que pagar o preço pela falta de diálogo de certos grupos que se aproveitam desse momento para gerar confusão? Porque as pessoas não se entendem? A folia não deveria ser espaço de violência, mas de festa e confraternização.

Há alguns anos que criticaria mais ferrenhamente o carnaval. Hoje teço minhas criticas aos abusos que se cometem em nome da folia. Hoje compreendo o carnaval como cultura e como confraternização. Dou os exemplos das escolas de samba: envolvem toda a comunidade que constrói os carros e que desfilam. Talvez para muitos isso não faça sentido, mas para eles fazem e isso deve ser respeitado. Às vezes as pessoas se esforçaram o ano todinho para estar na avenida, brincando, desfilando ou até mesmo exibindo um corpo bonito. É a paixão pela alegria, pela festa e pela folia. Isso é bom! O ser humano também é festa e folia. Estas só não podem comprometer o valor e o respeito à vida e dignidade humana.

Deus nos abençoe e a nosso carnaval.

Paz e Mercê para você!

Frei Inácio, mercedário


Quaresma: convertei-vos! 

Em diversas páginas da Bíblia Deus nos chama à conversão. A palavra hebraica “shub” no Antigo Testamento significa “voltar”. Deus nos chama a voltar para Ele, para sua a Palavra. A palavra grega “metanóia” no Novo Testamento significa “mudar a mentalidade”. Deus nos chama a mudarmos a nossa mentalidade para a mentalidade do Evangelho que é vida para todos.

Nesse período quaresmal, quarenta dias de preparação para a Páscoa, somos chamados a rever a nossa caminhada e aceitarmos a proposta de conversão que Deus nos faz. Esses quarenta dias nos lembram a caminhada do povo de Israel no deserto (quarenta anos) rumo à terra prometida. Jesus passou quarenta dias no deserto se preparando para sua missão. O número quarenta simboliza, portanto esse tempo de preparação para que algo novo e espetacular possa acontecer: para Israel, a entrada na terra prometida, para Jesus o início de sua missão, para nós hoje a vivência e experiência da Ressurreição de Jesus em nossa vida.

Para que isso ocorra temos três meios: a oração, o jejum e esmola. Através da oração mantemos diálogo amoroso e intimidade com Deus. Não dá pra ser discípulo de Jesus se a gente não o conhece, se não conversamos com Ele etc. Através da oração isso acontece em nossa vida. O jejum, além de nos proporcionar um auto controle de nossas pulsões e instintos, deve nos lançar à solidariedade. Não adianta nada não comer carne, se não partilhamos o alimento com os famintos. Mais ainda: deixar de comer para comer peixe que em certas ocasiões pode ser até mais caro que a própria carne! O jejum deve nos fazer solidários com os que são obrigados a fazer jejum por não ter o que comer no mundo de hoje. A esmola, por sua vez, não é dar o resto que me sobra a alguém, mas partilhar algo que seja importante para mim com os demais que não o tem. A própria vida colocada a serviço de quem necessita pode ser esmola...

Que Deus abençoe nesse caminho de conversão.

Paz e Mercê para você e sua família.

Frei Inácio José, mercedário

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

compaixão

compaixão 

Mc 1,40-45

 Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 

41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”.
42No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 
43Então Jesus o mandou logo embora, 
44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”
45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo. 

 Amados.

No evangelho deste domingo Jesus cura um leproso, alguém que na sociedade daquele tempo, devido à sua doença, era excluído da sociedade. Jesus ensina qual a atitude que devemos ter para com os doentes e excluídos, tanto daquele tempo como do nosso tempo...

Compaixão. Nos evangelhos essa palavra somente aparece como atitude de Jesus ou de algum personagem das parábolas que Jesus conta (Jesus se compadece da viúva que perde seu filho, Jesus se compadece das multidões famintas, o pai misericordioso se compadece do filho pródigo, o bom samaritano se compadece do caído a beira da estrada etc.). Jesus se revela, portanto como a compaixão do pai por aqueles que o mundo deixa à margem. Compaixão não é ter dó, mas um amor entranhável (em grego compaixão significa “mover as entranhas”), amor do mais profundo de si.

Jesus restaurou a dignidade do leproso. Sua fama se espalhou e todos o procuravam. O mundo hoje precisa de pessoas que manifestem compaixão, amor do mais profundo das entranhas, sobretudo para com os excluídos do convívio social.

Quais seriam estes excluídos no mundo de hoje? O evangelho de hoje nos chama à conversão do coração e à uma ação de reintegração de todas as pessoas à sociedade.

Deus nos abençoe nessa tarefa.

Paz e Mercê para todos.

Frei Inácio, mercedário

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Curados para servir

CURADOS PARA SERVIR

 

Caros irmãos e irmãs.

Após um tempo de descanso estamos de volta às nossas reflexões. O evangelho deste 8º domingo do tempo comum nos traz a cura da sogra de Pedro num primeiro momento. Um detalhe que chama a atenção não é a cura em si mesma, mas o fato de que depois de curada, a sogra se pôs a servir a Jesus e aos discípulos. Hoje em dia vemos muitas pessoas buscando a religião atrás de cura para as suas enfermidades. Corre-se o risco de transformar a religião em algo que satisfaça as nossas necessidades ao invés dela responder à sua finalidade principal que é nos proporcionar a experiência de Deus em nossa vida. Não estou afirmando que Deus não cure as nossas enfermidades e que não esteja preocupado com nossa saúde. Está sim, é claro! Deus deseja a nossa felicidade plena. Contudo é errado pensar de nossa parte que pelo de estarmos doentes estamos sendo ou castigados por Deus ou que Deus nos abandonou, o que não é verdade. Os carinhos de Deus para conosco devem sempre nos estimular a nos colocar a serviço dele através de nossos irmãos, como a sogra de Pedro fez.

Depois o evangelho continua mostrando que Jesus saía pregando e curando. O Reino de Deus se constrói por palavras e obras. Teoria e prática. Anúncio e trabalho. O evangelho talvez especifique, sobretudo as “curas de Jesus” porque na sociedade daquele tempo, os doentes eram excluídos do convívio social por serem considerados castigados por Deus. Jesus tem um carinho especial para com os enfermos e quer lhes devolver o convívio social. O Reino de Deus é aberto a todos. Nele há lugar para todos e não para uma pequena parcela de pessoas que se acham melhores do que as outras. Jesus veio anunciar que Deus ama a todos sem distinção e deseja construir um mundo no qual haja espaço e vida para todas as pessoas.

Poderíamos atualizar a mensagem deste evangelho pensando no carinho que nossas comunidades tem para com os enfermos. Será que nossas comunidades são espaços de acolhida e amor para com os que perderam a sua saúde ou será que os excluímos e nos afastamos deles? Que Deus nos conceda a graça da conversão e amor para com os enfermos.

Deus nos abençoe.

Paz e Mercê em abundancia em tua vida.

Frei Inácio José, religioso mercedário

sábado, 10 de janeiro de 2009

II Capítulo Provincial do Brasil

II Capítulo Provincial do Brasil


Nesta sexta feira dia 09 de janeiro de 2009, logo pela manhã celebrou-se a missa do Espírito Santo pedindo sua assistência para a eleição do governo provincial. As 16h30’ iniciou-se as eleição do governo provincial para o período de 2009-2011. Após as votações realizadas pelo frades capitulares o resultado foi o seguinte:
Provincial:
Frei Lisâneos Francisco Prates
Conselheiros:
Frei Emilio Santamaría Fernandez
Frei José Maria Mohomend Junior
Frei Gersoneide Francisco Costa
Frei John Londerry Batista

Na cerimônia de obediência o provincial pediu orações aos irmãos para que o novo governo seja servidor da província em vista do projeto Mercedário no Brasil. Pedirmos a todos orações para que o espírito libertador de São Pedro Nolasco nos guie por caminho seguros.

Frei Werlen Lopes da Silva

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

1º dia de Capítulo Mercedário em São Paulo


Olá queridos ouvintes da Rádio Mercê (http://www.mercedarios.org.br/ link da Rádio), queridos paroquianos, amigos, religiosos e demias que acompanham o nosso Capítulo Provincial por meio de suas orações e atenção para conosco.

O primeiro dia de Capítulo teve as suas atividades iniciadas às 15 e a Rádio Mercê transmitiu ao vivo desde a Capela do Convento onde está acontecendo o dito Capítulo para todos os ouvintes.

Em seguida, os Frades Capitulares subiram à Aula Capituli (Sala Capitular) para dar continuidade ao Rito.

Quem iria presidir o Capítulo seria o Mestre Geral da Ordem o Padre Giovannino Tolù, mas por motivos de saúde de sua irmã (que está enferma), não pôde participar; em seu lugar ele enviou o Padre José Zaporta que é o Vigário Geral da Ordem.

Ainda na Capela, onde aconteceu a Abertura do Capítulo e fazendo parte do Rito, foram lidas as Letras convocatórias do Capítulo, bem como o nome dos padres Capitulares; O Padre Zaporta direcionou a todos os Capitulares as palavras do Mestre geral sobre a importância do Capítulo e rezando pelo êxito.

Na Aula Capituli procederam-se à eleição dos escrutinadores do Capítulo, do Moderador, do Secretário e do Conselho Fiscal. Em seguida, foram lidas as memórias dos Secretariados da Ordem.

O dia de trabalhos encerrou-se com a missa presidida pelo Padre Provincial, Frei Emílio Santamaría.

Neste Primeiro dia foram feitas entrevistas na Rádio Mercê com o Padre Zaporta na parte da manhã e com o Padre Emílio na parte da Tarde.


Não perca as próximas notícias do Capítulo.

Fique ligado em quem liga pra você: Rádio Mercê!!!!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Olá!

Bom dia a todos vocês, Mercênautas.

É com grande alegria que estamos aqui na casa de São Paulo transmitindo partes do Capítulo Provincial do Brasil por rádio via internet.

É, é isso mesmo! por rádio via internet, a Rádio Mercê!

Quer ouvir e saber mais sobre os trabalhos realizados no Capítulo, entrevistas com os padres Capitulares e outras programações especiais feitas por ocasião do Capítulo? é só acessar http://www.mercedarios.org.br/ e clicar no link da rádio que aparece na página.

Aí, junto conosco, você estará participando deste II Capítulo Provincial do Brasil.


Se quizer enviar recado direto aos capitulares é só enviar e-mail para capituloprovincialmercedario@gmail.com

Se quizer enviar recados e pedidos de músicas para a rádio é só enviar para radiomerce@gmail.com

E se quizer ter a rádio entre os seus contatos do MSN é só adicionar

radiomerce@hotmail.com

Fique por dentro de nossa programação! E não perca as novidades do Capítulo!

Até a próxima!