CURADOS PARA SERVIR
Caros irmãos e irmãs.
Após um tempo de descanso estamos de volta às nossas reflexões. O evangelho deste 8º domingo do tempo comum nos traz a cura da sogra de Pedro num primeiro momento. Um detalhe que chama a atenção não é a cura em si mesma, mas o fato de que depois de curada, a sogra se pôs a servir a Jesus e aos discípulos. Hoje em dia vemos muitas pessoas buscando a religião atrás de cura para as suas enfermidades. Corre-se o risco de transformar a religião em algo que satisfaça as nossas necessidades ao invés dela responder à sua finalidade principal que é nos proporcionar a experiência de Deus em nossa vida. Não estou afirmando que Deus não cure as nossas enfermidades e que não esteja preocupado com nossa saúde. Está sim, é claro! Deus deseja a nossa felicidade plena. Contudo é errado pensar de nossa parte que pelo de estarmos doentes estamos sendo ou castigados por Deus ou que Deus nos abandonou, o que não é verdade. Os carinhos de Deus para conosco devem sempre nos estimular a nos colocar a serviço dele através de nossos irmãos, como a sogra de Pedro fez.
Depois o evangelho continua mostrando que Jesus saía pregando e curando. O Reino de Deus se constrói por palavras e obras. Teoria e prática. Anúncio e trabalho. O evangelho talvez especifique, sobretudo as “curas de Jesus” porque na sociedade daquele tempo, os doentes eram excluídos do convívio social por serem considerados castigados por Deus. Jesus tem um carinho especial para com os enfermos e quer lhes devolver o convívio social. O Reino de Deus é aberto a todos. Nele há lugar para todos e não para uma pequena parcela de pessoas que se acham melhores do que as outras. Jesus veio anunciar que Deus ama a todos sem distinção e deseja construir um mundo no qual haja espaço e vida para todas as pessoas.
Poderíamos atualizar a mensagem deste evangelho pensando no carinho que nossas comunidades tem para com os enfermos. Será que nossas comunidades são espaços de acolhida e amor para com os que perderam a sua saúde ou será que os excluímos e nos afastamos deles? Que Deus nos conceda a graça da conversão e amor para com os enfermos.
Deus nos abençoe.
Paz e Mercê em abundancia em tua vida.
Frei Inácio José, religioso mercedário
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