2° domingo quaresma.
TRANSFIGURANDO A MORTE...
No evangelho deste domingo vemos Jesus se transfigurar diante dos seus discípulos (Mc 9,2-10). Jesus antecipa a glória que terá depois da ressurreição, mostrando-a aos seus, na expectativa de que estes não desanimem quando o virem pregado e morto na cruz. Deus proclama que Jesus é seu Filho e que seus discípulos o devem escutar. Podemos considerar a transfiguração de Jesus como um momento de teofania, ou seja, no qual Deus se revela em Jesus para animar aos discípulos no caminho. Jesus é paradoxal: é Deus, mas se mostra fraco a ponto da morte de cruz. Isso na cabeça dos discípulos é complicado de entender e inclusive na nossa cabeça hoje, que queremos que Deus seja o Todo-poderoso para resolver as nossas questões. Deus se revela no humano e quando o humano consegue superar suas crises, aí está a manifestação de Deus. Pedro sofre a tentação de “ficar no Tabor” contemplando a glória do Senhor. Jesus rejeita essa postura, pois na cena posterior, todos descem do monte e começam a servir aos mais necessitados. A contemplação de Deus deve nos levar a ação para com o próximo que sofre.
Na primeira leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) vemos um texto no qual a tradição patrística da Igreja vê a prefiguração do sacrifício de Jesus. Isaac lembra Jesus sendo levado à morte. O cordeiro que é sacrificado em seu lugar lembra também Jesus sacrificado. No entanto Isaac sobrevive, não morre. Quem morre é o cordeiro. O mesmo se dá com Jesus: morre mas vence a morte, a supera, a destrói. É o que celebraremos na festa da Páscoa. A morte não é a palavra final, mas sim a vida. Em Jesus todos viveremos um dia por participarmos de sua Ressurreição. Aquele que entrega a vida, acaba encontrando-a de fato!
Na segunda leitura (Rm 8,31b-34) vemos como Paulo interpreta a morte de Jesus: como uma entrega de amor de Deus para a salvação da humanidade pecadora. Se compararmos com o texto de Gn, nos admiramos: Deus não permite a morte de Isaac, mas permite a morte do seu Filho para a salvação do mundo. Tão grande é o amor de Deus que nos chama a conversão, à vida nova. Qual a nossa resposta a esse amor?
Desta liturgia do 2° domingo quaresmal podemos aprender: 1. Deus se manifesta no humano, sobretudo no que aparenta ser mais fraco e simples. 2. Nossos momentos de oração e contemplação devem nos impulsionar ao amor concreto para com os mais necessitados de nosso tempo. 3. Viver uma vida de dedicação (sacrifício) aos demais pode parecer morte à primeira vista, mas no fundo é o sentido da vida: amar, se doar, se entregar.
Que o Senhor abençoe nossa caminhada quaresmal.
Paz e mercê em sua vida!
Frei Inácio José, mercedário 06/03/09
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