segunda-feira, 16 de março de 2009

Templos... (3º domingo da quaresma)

 

O evangelho deste domingo nos mostra Jesus expulsando os vendilhões do templo. Como todo bom judeu, Jesus amava o templo de Jerusalém, mas não concordava com a exploração que lá era feita pelos cambistas, que estavam a serviço dos interesses romanos. O evangelho de João foi escrito pelo ano 95 dc e o templo de Jerusalém já não existia, pois foi destruído pelos romanos em 70 dc. Por isso Jesus se refere a seu corpo como templo no texto, pois para a comunidade de João, Jesus é o verdadeiro templo, através do qual temos acesso a Deus. O texto talvez tenha resquício histórico da vida de Jesus, pois os quatro evangelhos relatam o fato.

O texto é colocado na quaresma já nos preparando para celebrar a semana santa. Por causa dos conflitos com as autoridades de seu tempo Jesus morreu. Além disso, percebemos também a intenção de João em nos mostrar Jesus anunciando a restauração do templo de seu corpo, interpretação da comunidade joanina sobre a ressurreição de Jesus. Jesus passará pela morte como conseqüência de sua fidelidade ao Pai, ao Reino e no enfretamento com o mal. Mas não permanecerá morto. O Pai lhe dará a vida eterna junto de si. A palavra final é sempre da vida e nunca da morte.

Podemos pensar no valor do templo hoje em dia. O templo é o local onde a comunidade se reúne para rezar. É lugar de encontro com Deus e com os irmãos. Por isso é importante participar das celebrações. Convivemos com os irmãos e louvamos a Deus. Amamos a Deus em nossos irmãos. Nossas comunidades não devem ter outro interesse senão o de ser um espaço alternativo na sociedade que propicie um clima de fraternidade e amor que nos propicie encontrar a Deus, mediante sua Palavra e a Eucaristia. É importante lembrar que nos reunimos em Deus e que Jesus é nosso templo, mediante o qual temos acesso ao Pai. E pelo Espírito que Ele nos derrama nos tornamos também “templos vivos de Deus”.

Que Deus nos conceda viver uma santa quaresma respeitando e amando a cada pessoa humana, qualquer seja, em sua dignidade humana, pois se trata de um templo vivo de Deus no meio de nós...

Paz e Mercê!

 

Levantado da terra (4º domingo da quaresma)

 

O evangelho deste quarto domingo da quaresma nos mostra Jesus falando que seu “levantamento da terra” é sinal de salvação de Deus. Moisés levantou a serpente como sinal no deserto para curar os que eram mordidos por cobras por serem rebeldes. A serpente também é símbolo da ressurreição: pelo fato de trocar constantemente de pele! Podemos pensar que a serpente morreu de vermos sua pele no chão, mas na verdade ela está é viva... Não se assemelha a ressurreição de Jesus? O que todos acharam que estava morto, na verdade está vivo e os discípulos de Jesus o comprovaram...

Deus não enviou Jesus para condenar, mas para salvar. Deus é amor e deseja que todos alcancem a salvação. Somos os que aceitam a salvação de Deus em Jesus ou somos os que não aceitam? João deixa bem claro: a possibilidade de condenação do mundo é porque esta recusa o Filho de Deus e não porque Deus queira condenar o mundo.

Jesus se apresenta como luz. Sua ação é luz. O curar os enfermos, o anunciar o Reino de Deus, o libertar dos demônios, o enfrentar a hipocrisia religiosa dos seus, o enfrentar o poderio dos romanos, enfim, toda a sua vida é luz e referência para os que se dizem seus discípulos. Jesus agiu em Deus, tudo o que fez era de acordo com o projeto do Pai. E nós? Será que também somos assim? Será que estamos em buscar de sermos luz do mundo e sal da terra como nos convida Jesus?

A quaresma vai caminhando para o seu fim e se aproxima o momento de colhermos os frutos de nossa penitência: os sinais de nossa mudança de vida, de conversão de mentalidade, de um voltar-se mais consistente para Deus. Quais os frutos que, pela graça de Deus, estou colhendo nessa quaresma?

Deus nos abençoe hoje e sempre!

Paz e Mercê!

 

Frei Inácio José, mercedário

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