sábado, 11 de abril de 2009

Semana Santa

Caros irmãos, estamos vivendo a Semana Santa, memória dos últimos momentos de vida de Jesus. Trata-se da festa cristã principal, a Páscoa do Senhor.

No Domingo de Ramos celebramos Jesus que entra em Jerusalém aclamado como Messias. No entanto como o seu messianismo não era o esperado, sobretudo pelos poderosos de seu tempo, ele é rejeitado e morto. Por isso esse domingo possui a ambigüidade de vermos Jesus sendo aclamado como rei e o mesmo Jesus morrendo crucificado. As leituras desse domingo nos fazem compreender Jesus como o servo-discípulo que enfrenta a maldade dos que não lhe compreendem (1 leitura); Jesus como o justo perseguido por causa de sua prática de justiça (salmo); Jesus como Deus, se esvaziando de sua glória, assumindo a nossa humanidade, na categoria dos últimos – escravos – (2 leitura); Jesus como o servo-sofredor, que morre por sua fidelidade ao projeto do Pai e em solidariedade com os mais pobres, na morte de cruz. Que tipo de messias imaginamos ser Jesus?

Na segunda feira santa, as leituras nos fazem perceber Jesus como o eleito de Deus para ser instrumento de justiça no meio dos seus, através da não-violência (1 leitura), por isso, contra a violência dos maus, ele confia e espera em Deus (salmo). Maria unge Jesus (evangelho), em vista de sua morte. É um ato de amor para com Jesus e este exorta o compromisso com os mais pobres: “pobres sempre tereis, por isso deveis ajuda-los (Dt 15,11). Será que somos promotores da violência? Como anda a nossa solidariedade para com os pobres?

Na terça feira, compreendemos Jesus como a luz das nações e não somente de Israel (1 leitura) e ele será luz quando chagar a sua “hora” que no evangelho de João é o momento da cruz, onde Jesus é glorificado pelo Pai e onde, segundo o mesmo evangelista atrairá todos a si. Já se aproxima esse momento... Será que somos abertos aos demais para anunciar-lhes a salvação ou achamos que Jesus veio somente para nós?

Na quarta feira santa, Jesus anuncia que Judas o entregará (evangelho). Aquele que era íntimo dele e que comia do mesmo prato, o entrega nas mãos das autoridades. Jesus continua fiel ao projeto do Pai (salmo) e assume o seu destino, não podendo voltar atrás em tudo aquilo que Ele viveu e anunciou do Reino de Deus. Será que permanecemos fiel à vontade do Pai mesmo contra as adversidades da vida?

Na quinta-feira santa celebramos a instituição da eucaristia, do sacerdócio e o gesto do lava-pés. Jesus celebrando a Páscoa judaica, memória da libertação do Egito, com os seus discípulos, projeta um novo significado: a ceia cristã será memória da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus (1 e 2 leituras). Participar da eucaristia é comungar da vida de Jesus! João no lugar do memorial eucarístico coloca o lava-pés, como que mostrando que o serviço aos demais é, para a comunidade de João, a memória de Jesus. Será que a cada eucaristia nos comprometemos com a vida e valores que Jesus nos ensinou? Será que a cada eucaristia nos tornamos mais parecidos com Jesus? Somos pessoas que servem às demais?

Na sexta-feira santa fazemos memória da morte de Jesus. Jesus morre por causa do modo como viveu e por sua fidelidade ao Reino querido por seu Pai (1 leitura). Por isso ele entrega confiante sua vida nas mãos do Pai, crendo que não se decepcionará por ter vivido assim (salmo). Condenado como herege e agitador político Jesus morre, vivendo até o fim a vontade do Pai (evangelho) e as comunidades cristãs interpretaram sua morte como necessária para que ele se tornasse o verdadeiro sacerdote que intercede por nós todos junto de Deus (2 leitura). Nossa salvação valeu a fidelidade de Jesus... Que valor damos a isso?

No sábado santo, fazemos a vigília pascal aguardando a ressurreição de Jesus. Fazemos memória da história da salvação: Deus criou o universo para ser espaço de manifestação de sua glória e amor. Porém o pecado entrou no mundo pelo abuso da liberdade humana. Daí vem a promessa de que Deus salvará o mundo das conseqüências do pecado. Isaac prefigura o sacrifício que Jesus fará mais tarde de si mesmo, dando a sua vida em fidelidade ao Pai, para a redenção do mundo. Lembramos a Páscoa judaica, onde Deus por Moisés liberta o povo do Egito, prefigurando a verdadeira libertação que é a da morte, que Jesus nos alcançará por sua ressurreição. Paulo nos lembra que ser batizado significa participar da vida Jesus, sermos como Ele. O batismo nos enxerta em Jesus e como ele morreu e ressuscitou, nós também um dia seremos ressuscitados como Ele. Jesus viveu e pregou o Reino na Galiléia entre os mais pobres e quando ressuscita volta para lá, mostrando que a esperança dos pequenos nunca é decepcionada por Deus. Temos esperança de que, através de nosso serviço, o mundo poderá ser transfigurado para melhor?

No domingo de Páscoa celebramos a vitória de Jesus sobre a morte. Pedro anuncia que Jesus, que passou a vida fazendo o bem foi ressuscitado por Deus. A ressurreição foi a resposta de Deus à vida de justiça que Jesus viveu. Assim Jesus se torna o modelo de ser humano a ser imitado por todos nós (1 leitura). Paulo nos lembra que, uma vez ressuscitados em Jesus devemos “buscar as coisas do alto”, o que não significa ser um alienado do mundo, mas viver no mundo segundo a vontade de Deus construindo a fraternidade tão querida por Ele (2 leitura). O Evangelho nos dá uma lição: o discípulo amado foi aquele que entrou no túmulo, viu e creu, ao passo que Pedro não. A semana santa termina e as coisas podem continuar do mesmo modo... Cabe a nós termos um olhar diferente sobre o mundo para perceber novas realidades possíveis de se viver. Realidades de fraternidade, solidariedade e amor...

Santa semana e Páscoa para todos nós!

Paz e mercê em abundância!

Frei Inácio José, mercedário

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