terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Discernir vocação é estar em busca

Em nosso itinerário quaresmal, nesse terceiro domingo, somos convidados a ver na samaritana (Jo 4) um bonito exemplo vocacional. Jesus se aproxima dessa mulher, mesmo não sendo condizente com a cultura da época, se apresenta como o sentido de sua vida e esta mulher descobre sua vocação de anunciar Jesus como Messias aos samaritanos. Esse texto tem como fundo a realidade dos samaritanos que acolhem a mensagem de Jesus. Às vezes fazemos uma leitura moralista do texto ao passo que a exegese nos mostra outros caminhos: a mulher simboliza o povo de Samaria que recebeu outros ídolos em seu meio – na verdade cinco, simbolizados no texto pelos “cinco maridos” (“marido” e “baal” – ídolo, são a mesma palavra em hebraico). Jesus é o “sétimo marido”, o que dá pleno sentido à vida humana.
Vocacionalmente falando, deste texto podemos refletir que apenas no encontro com Jesus o nosso discernimento vocacional pode encontrar sentido e realização. Segundo a Gaudium et Spes, o “mistério humano se resolve no mistério de Cristo”. Em Jesus encontramos o sentido, o norte, a direção e o auxilio necessário para podermos acertar nossa escolha vocacional.A atitude da samaritana é exemplarmente vocacional no sentido de mostrar uma vida que está em busca. Ela questiona Jesus a todo momento e faz com Jesus lhe responda às suas inquietações. Só uma pessoa em busca encontra o sentido que tanto deseja. Uma pessoa satisfeita e estagnada na vida não tem mais o que procurar. Em nível de espiritualidade, podemos dizer que alguém que encontrou Deus, ou diz tê-lo encontrado precisa ter muito cuidado para não se prender numa imagem absoluta de Deus. Deus é sempre busca,mistério...
Deus nos ajude nessa quaresma a cada vez mais buscá-lo como sentido de nossa vida. Que Ele nos ajude também a nos descobrirmos em seu mistério de amor.
Paz e Liberdade.
Frei Inácio José, mercedário

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Conhecendo Aurora



A U R O R APoetisa das telasPinturas perenesCurvas, formasUm passeio e tantoadmirar tuas obrasNão me canso de dizerÉs abençoada por DeusTe conhecerfoi um imenso prazerTe esquecer será impossível ...


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A EXPORTAÇÃO DA DEMOCRACIA

A exportação da democracia norte-americana

A geração que acompanhou os movimentos revolucionários em vários países numa época em que os movimentos de libertação fervilhavam pelo Terceiro Mundo, deve se lembrar de um aspecto interessante da luta ideológica: os grandes meios de comunicação de massa dos países ocidentais viviam a tergiversar sobre a ‘exportação da revolução’, que seria incentivada pela ex-União Soviética, China ou Cuba. Nosso objetivo, neste artigo, é abordar a questão da exportação da democracia norte-americana.
Se no primeiro caso o que ocorria de fato era um movimento de solidariedade à luta de libertação dos povos, no segundo o que se tem é, na realidade, a solidariedade àqueles que pretendem retornar ao status de favorecimento às grandes corporações que exploram o povo. Isto é, a solidariedade às elites exploradoras de sempre, também chamada de ‘classe dominante’.
Hoje a opinião pública internacional assiste horrorizada aos movimentos de exportação da democracia norte-americana aos quatro cantos do Planeta. Tanto a primeira como a segunda invasão do Iraque, por exemplo, tiveram como álibi a implantação da democracia norte-americana num país muçulmano que seria governado por um ditador. O preço dessas invasões foi o de mais de um milhão de iraquianos assassinados ou mortos em conseqüência da falta de abastecimento devido ao bloqueio econômico promovido pelos EUA: um verdadeiro genocídio.
Sabe-se que tanto no primeiro como no segundo caso o governo norte-americano mentiu. A verdadeira causa dessas invasões foi o petróleo do país invadido. Hoje se observa mais um movimento do governo Bush no sentido da exportação de sua democracia a um outro país. Seu alvo: a separação de Kosovo, com o objetivo de aumentar sua influência geopolítica na região. O que chama a atenção são os métodos ‘democráticos’ de sempre do governo americano: a compra de consciências.
O escândalo surgiu agora na Eslovênia, após o vazamento de um documento interno do governo, em que Washington ‘recomenda’ ao mesmo que seja o primeiro a reconhecer a independência de Kosovo depois dos Estados Unidos. O Secretário de Estado Adjunto norte-americano sugere ao governo esloveno até quando e como o fazer! Resultado: Mitja Drobnic teve de renunciar ao cargo de diretor político do Ministério do Exterior esloveno.
Kosovo é uma província separatista da Sérvia cuja população é majoritariamente de origem albanesa. Mas os sérvios consideram Kosovo o berço de sua identidade nacional e religiosa e não aceitam a separação reivindicada pelos albaneses e apoiada pelos EUA e por parte da União Européia.
Em síntese, é a mesma dinâmica que aconteceu na disputa pelo poder nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia, em que milhões de dólares foram investidos pelo governo Bush nas campanhas dos candidatos pró-ocidentais como forma de promover as chamadas ‘revoluções laranjas’, que colocam no poder aqueles que serão os porta-vozes dos interesses norte-americanos dentro desses países, desmontando o Estado e privatizando tudo que for possível.
As ‘revoluções laranjas’ – nome pomposo e simpático inventado pelos ideólogos de Bush e amplamente divulgado pela mídia internacional – não passam de instrumentos sustentados por milhões de dólares e utilizados para exportar uma ‘democracia’ que só serve para desestabilizar aqueles setores políticos que, em cada um desses países, não aceitam o domínio político e econômico dos Estados Unidos sobre os mesmos.
A esperança é que, com a vitória de Barack Obama ou de Hillary Clinton nas próximas eleições, essa realidade seja revertida.
Emerson Leal – Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de São Carlos.
E-mail: depl@df.ufscar.br

Fev/2008
A exportação da democracia norte-americana

A geração que acompanhou os movimentos revolucionários em vários países numa época em que os movimentos de libertação fervilhavam pelo Terceiro Mundo, deve se lembrar de um aspecto interessante da luta ideológica: os grandes meios de comunicação de massa dos países ocidentais viviam a tergiversar sobre a ‘exportação da revolução’, que seria incentivada pela ex-União Soviética, China ou Cuba. Nosso objetivo, neste artigo, é abordar a questão da exportação da democracia norte-americana.
Se no primeiro caso o que ocorria de fato era um movimento de solidariedade à luta de libertação dos povos, no segundo o que se tem é, na realidade, a solidariedade àqueles que pretendem retornar ao status de favorecimento às grandes corporações que exploram o povo. Isto é, a solidariedade às elites exploradoras de sempre, também chamada de ‘classe dominante’.
Hoje a opinião pública internacional assiste horrorizada aos movimentos de exportação da democracia norte-americana aos quatro cantos do Planeta. Tanto a primeira como a segunda invasão do Iraque, por exemplo, tiveram como álibi a implantação da democracia norte-americana num país muçulmano que seria governado por um ditador. O preço dessas invasões foi o de mais de um milhão de iraquianos assassinados ou mortos em conseqüência da falta de abastecimento devido ao bloqueio econômico promovido pelos EUA: um verdadeiro genocídio.
Sabe-se que tanto no primeiro como no segundo caso o governo norte-americano mentiu. A verdadeira causa dessas invasões foi o petróleo do país invadido. Hoje se observa mais um movimento do governo Bush no sentido da exportação de sua democracia a um outro país. Seu alvo: a separação de Kosovo, com o objetivo de aumentar sua influência geopolítica na região. O que chama a atenção são os métodos ‘democráticos’ de sempre do governo americano: a compra de consciências.
O escândalo surgiu agora na Eslovênia, após o vazamento de um documento interno do governo, em que Washington ‘recomenda’ ao mesmo que seja o primeiro a reconhecer a independência de Kosovo depois dos Estados Unidos. O Secretário de Estado Adjunto norte-americano sugere ao governo esloveno até quando e como o fazer! Resultado: Mitja Drobnic teve de renunciar ao cargo de diretor político do Ministério do Exterior esloveno.
Kosovo é uma província separatista da Sérvia cuja população é majoritariamente de origem albanesa. Mas os sérvios consideram Kosovo o berço de sua identidade nacional e religiosa e não aceitam a separação reivindicada pelos albaneses e apoiada pelos EUA e por parte da União Européia.
Em síntese, é a mesma dinâmica que aconteceu na disputa pelo poder nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia, em que milhões de dólares foram investidos pelo governo Bush nas campanhas dos candidatos pró-ocidentais como forma de promover as chamadas ‘revoluções laranjas’, que colocam no poder aqueles que serão os porta-vozes dos interesses norte-americanos dentro desses países, desmontando o Estado e privatizando tudo que for possível.
As ‘revoluções laranjas’ – nome pomposo e simpático inventado pelos ideólogos de Bush e amplamente divulgado pela mídia internacional – não passam de instrumentos sustentados por milhões de dólares e utilizados para exportar uma ‘democracia’ que só serve para desestabilizar aqueles setores políticos que, em cada um desses países, não aceitam o domínio político e econômico dos Estados Unidos sobre os mesmos.
A esperança é que, com a vitória de Barack Obama ou de Hillary Clinton nas próximas eleições, essa realidade seja revertida.
Emerson Leal – Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de São Carlos.
E-mail: depl@df.ufscar.br

Fev/2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Transfiguração e vocação

O Evangelho da Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-9) pode ser lido em chave vocacional. Jesus sobe ao monte com alguns dos seus e lá manifesta sua glória como estímulo a que os discípulos não desanimem uma vez que Ele mesmo já havia anunciado o seu sofrimento e morte em Jerusalém por parte das autoridades judaicas (Mt 16, 21-22). Em sua transfiguração duas personagens importantes do Primeiro Testamento aparecem ao lado de Jesus: Elias – símbolo da tradição profética de Israel e Moisés – símbolo da Torah (Lei). Ambos estão ali como testemunhas de que Jesus é o Filho Amado do Pai o qual nós devemos ouvir.
Transfigurar significa “mudar de figura”. Jesus deixou transparecer em sua humanidade a divindade que estava escondida. Nesse período quaresmal somos vocacionados por Deus a transfigurarmos tudo aquilo que é morte, pecado e que estão presentes em nós. O mal em nós deve ser convertido em bem. Outro pensamento que podemos ter é que, no mundo no qual vivemos, a nossa verdadeira dignidade de filhos e filhas amados de Deus não tem se manifestado. Desta forma, é necessário transfigurar o mundo, afim de que este proporcione possibilidade a todos de viverem plenamente a sua dignidade.
A experiência do “monte tabor” é muito boa, mas não pode nos alienar do mundo. Pedro queria ficar lá contemplando o Cristo glorioso (como muitos de nós)! Antes, contudo, precisamos aprender a ver Jesus no que sofre, nos crucificados de hoje. Em linguagem bem mercedária: ver Jesus nos cativos de nossa sociedade. Experiência religiosa concreta e autêntica nunca aliena, mas nos lança ao mundo com o desafio de transfigurá-lo conforme o desejo de Deus.
Que Deus nos ajude em nossa caminhada vocacional e quaresmal, afim de que realizemos plenamente o chamado de Deus em nossa vida seja ele qual for.
Paz e liberdade!
Frei Inácio José, mercedário

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nossas tentações

No primeiro domingo da quaresma lemos o texto de Mt 4, 1-11, as “tentações de Jesus”, ou melhor “nossas tentações”, porque Jesus é Deus feito pessoa humana vivendo plenamente nossa condição menos o pecado. Jesus passa quarenta dias no deserto, lembrando a caminhada de povo e de Moisés em busca da terra e suas tentações, só que Jesus sai delas vencedor usando da Palavra de Deus.
As tentações de Jesus são nossas tentações: todos somos tentados a usar o poder em beneficio próprio (vs 3-4), mas Jesus ensina a usar o poder em benefício alheio (Mt 14,13-21): Jesus não fez surgir pão para si, mas sim para os outros. Todos somos tentados a manipular Deus (vs 5-7): achamos que pertencendo a uma comunidade de fé, tudo de bom e de melhor acontecerá conosco como se Deus fosse obrigado a pagar em forma de bens as nossas práticas, quando na verdade, vivemos a fé para crescer no amor a Deus e aos irmãos. Todos somos tentados também à idolatria colocando no lugar de Deus outras coisas (vs 8-10), como riqueza, poder etc. quando na verdade os valores do Reino devem ser aquilo de mais importante que deveríamos viver e cultivar como cristãos.
Esse texto é como um resumo de todas as provas pelas quais Jesus passou em sua vida, em seu ministério juntos aos mais pobres do povo. No entanto, o segredo está em que Jesus, usou da Palavra de Deus para que sua missão não perdesse o rumo. Assim também nós, ao nos alimentarmos de Jesus em sua Palavra, podemos enfrentar os desafios do mundo que nos cerca, procurando ser cada vez mais fiéis ao Evangelho, Boa Nova de um mundo novo de justiça e paz.
Paz e Liberdade!
Frei Inácio José, mercedário